Hellen Souza, da redação

 

 

A Coalizão Indústria, um conjunto de associações que congregam diferentes segmentos industriais, se reuniu na manhã desta segunda-feira (7 de março) para discutir e reportar à imprensa suas impressões em relação aos dois fatos que terão impacto direto sobre essa atividade econômica nos próximos tempos: a redução de 25% de alíquota do Imposto sobre a Produção Industrial (IPI), anunciada há alguns dias pelo Governo Federal, e o conflito entre Rússia e Ucrânia, que coloca todo o Ocidente em alerta diante do risco de quebra do suprimento energético para países europeus, com consequências sobre o mercado de commodities em nível global, incluindo metais e insumos petroquímicos.

 

A caminho da extinção do IPI

Marco Pollo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil e coordenador da Coalizão, ponderou que os planos para redução do IPI começaram há cerca de cinco meses, e que ocorrem em um momento de alta recorde da arrecadação, assegurando maior competitividade para a indústria sem prejuízos para os cofres públicos. O executivo declarou que a expectativa era que o tributo fosse reduzido em 50%, caminhando para a extinção, que é a proposta da Coalizão ao Ministério da Economia. A redução, no entanto, já é bastante significativa, ajudando a baratear produtos e mitigar os efeitos da guerra que está em curso em território europeu, “contrabalançando, em parte, o aumento de preços que vem por aí”, nas palavras do executivo. O mercado, no entanto, é que definirá em que medida haverá repasse da redução do IPI aos preços dos produtos finais.

 

Cenário complexo

Marco Pollo fez questão de afirmar que a Coalizão Indústria não compartilha das previsões negativas ligadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia quanto ao abastecimento do mercado brasileiro, seja em relação a insumos para a indústria ou a produtos transformados. Segundo ele, empresas representadas pelas entidades que compõem a Coalizão trabalham, em média, com 40% de capacidade ociosa, podendo absorver com tranquilidade um eventual aumento de demanda. Com relação a matérias-primas, Marco Pollo também afirmou que o Brasil produz e exporta insumos como o aço, o que pode tranquilizar a indústria no tocante a insumos básicos.

 

No entanto, o mercado e a dinâmica das cadeias globais de suprimento poderão agravar questões como a crise dos semicondutores, decorrente da pandemia de Covid-19. Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, alertou para a dependência mundial de insumos como o gás neônio, usado em lasers para a produção de chips, e cuja purificação é feita na Ucrânia, assim como o metal paládio, fornecido predominantemente pela Rússia. Ambos são fundamentais na produção de semicondutores. Isso deverá afetar a fabricação de eletroeletrônicos, computadores e celulares, com o agravamento do conflito. A indústria automobilística também poderá ser bastante prejudicada, tendo em vista que atualmente um automóvel demanda em média 1.200 semicondutores, de acordo com Barbato.

 

Os gargalos logísticos são outra preocupação da indústria, que já vinha enfrentando aumentos no custo dos fretes em razão da crise dos contêineres decorrente da pandemia de Covid-19.

 

José Velloso Dias Cardoso, presidente de Abimaq, chamou a atenção para a expectativa de aumento da inflação em nível mundial, mas também ponderou que a balança comercial brasileira pode sofrer efeitos positivos em razão da alta das commodities no mercado internacional, tendo em vista que o País é forte exportador de placas de aço, por exemplo.

 

José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, estimou que o segmento de plásticos não deverá ter problemas de abastecimento pelos próximos quatro a cinco meses, mas avaliou que em algum momento o setor de resinas petroquímicas sofrerá consequências do conflito Ucrânia/Rússia, tendo em vista que o mercado do petróleo é um ponto nevrálgico da questão geopolítica, impactando a oferta e os preços de matérias-primas e insumos energéticos.

 

A Coalizão Indústria é formada por 14 entidades do setor industrial: Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Associação Brasileira de Indústria de Máquinas Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), Instituto Aço Brasil, INTERFARMA e Grupo Farma Brasil.



Foto: DepositPhotos
 

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