Hellen Souza, da redação


 

O mercado global de ferramentas de corte enfrenta um cenário de pressão de custos em 2026, devido à disparada dos preços do tungstênio e de outros metais duros como o cobalto, usados na fabricação de ferramentas como brocas e fresas. Segundo dados da consultoria britânica Fastmarkets, especializada em commodities, o preço do paratungstato de amônio (APT) na Europa registrou uma valorização superior a 400% entre o início de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, saltando de uma média de US$ 335 para cerca de US$ 1.700 por tonelada métrica.

 

Essa escalada, impulsionada por restrições de exportação na China e pelo aumento da demanda nos setores de defesa e de semicondutores, tem forçado a indústria de ferramentas de usinagem a buscar alternativas tecnológicas para mitigar os sucessivos reajustes nos custos de fabricação.

Insertos de metal duro das ferramentas da Tungaloy

 

A concentração da produção é o principal fator dessa crise, uma vez que a China detém o controle de aproximadamente 80% da oferta mundial de tungstênio. As cotas de mineração mais rígidas e os novos controles de bens de "uso duplo" (bens, software e tecnologias que podem ser utilizados tanto para fins civis/comerciais quanto para fins militares) implementados por Pequim em 2025 reduziram drasticamente o fluxo de metal virgem para o Ocidente.

 

Esse estrangulamento na oferta é agravado pela baixa disponibilidade de cobalto, essencial como aglutinante no metal duro. Suas variações de preço, segundo a Argus Media, têm oscilado cerca de 15% ao mês em 2026 devido à instabilidade na cadeia de suprimentos de baterias para veículos elétricos, que compete pelo mesmo recurso.

 

A indústria de ferramentas se adapta

 

Tecnicamente, o impacto no chão de fábrica é direto e severo, alterando a viabilidade econômica de processos que utilizam ferramentas de metal duro integral. Para os usuários finais, isso se traduz em um aumento no custo por peça produzida, exigindo que engenheiros de processos recalculem estratégias e parâmetros de corte para priorizar a vida útil da ferramenta.


Como resposta a esse déficit estrutural, as principais fabricantes de ferramentas, como a sueca Sandvik Coromant, a japonesa Tungaloy e a alemã Gühring aceleraram a transição para sistemas de construção modular das suas ferramentas. A tendência é a substituição massiva de ferramentas integrais por sistemas de cabeças intercambiáveis, que utilizam até 80% menos metal duro em sua composição.


Além disso, a reciclagem de ferramentas usadas tornou-se uma operação estratégica; estima-se que a logística reversa de metal duro já represente 35% do suprimento de matéria-prima das grandes marcas em 2026, reduzindo a dependência de minério virgem.

 

A longo prazo, a indústria metal mecânica deve conviver com um patamar de preços elevado, o que incentiva a pesquisa em revestimentos cerâmicos avançados e novos materiais de corte, como o nitreto de boro cúbico (CBN) e ceras metálicas alternativas. De acordo com projeções da consultoria Oxford Economics (Reino Unido), a estabilidade dos preços do tungstênio só deve ocorrer a partir de 2028, quando novas operações de mineração na Coreia do Sul e Austrália atingirem capacidade plena. Até lá, a eficiência no uso do metal duro dependerá de estratégias como o uso de geometrias inteligentes e programas rigorosos de reciclagem.

 

 

Imagem: Cortesia-Tungaloy

 

 

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