Por Alan Bonel(*)
Com o avanço das aplicações poliméricas e a crescente complexidade dos sistemas de embalagem, surgiram normas mais abrangentes para avaliação da fissuração sob tensão ambiental. A ISO 22088 representa um desses avanços, oferecendo uma abordagem mais flexível e aplicável a diferentes tipo
s de polímeros e condições de uso.
Diferentemente da ASTM D1693, a ISO 22088 não se limita a um único agente químico nem a uma única geometria de corpo de prova. A norma é estruturada em diferentes partes, permitindo a aplicação de cargas constantes ou deformações controladas, além da utilização de meios ambientais mais representativos da aplicação real. Isso torna o método particularmente útil para estudos de desenvolvimento e validação de materiais.
A possibilidade de aplicar tensão constante aproxima o ensaio das condições reais de serviço, nas quais a embalagem permanece sob carga por longos períodos. Além disso, a norma permite avaliar o tempo até a falha ou a taxa de propagação de trincas, fornecendo informações mais detalhadas sobre o comportamento do material.
Outro diferencial importante da ISO 22088 é sua aplicabilidade a polímeros além do polietileno (PE), incluindo polipropileno (PP), poliestireno ( PS) e outros termoplásticos. Isso amplia significativamente o escopo da avaliação de ESCR, especialmente em aplicações em que diferentes materiais competem entre si.
Apesar de mais representativa, a ISO 22088 exige maior controle experimental e interpretação técnica ainda mais cuidadosa. Os resultados são altamente dependentes da escolha do meio ambiental, da geometria do corpo de prova e das condições de carga. Por isso, a norma é mais utilizada em estudos avançados e menos comum em rotinas industriais de controle da qualidade.
Imagem: Nastripack
Saiba mais sobre normas para o setor de plásticos acompanhando a seção Normas, no portal da Plástico Industrial.

(*)Alan Bonel é especialista em polímeros e atua há mais de 15 anos com foco em normas técnicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de ensaios, laboratório e requisitos de montadoras. Compartilha conteúdos técnicos no LinkedIn e no canal do YouTube @bonelsimplificando.
__________________________________________________________________________________
Assine a PI News, a newsletter semanal da Plástico Industrial, e receba informações sobre mercado e tecnologia para a indústria de plásticos. Inscreva-se aqui.
___________________________________________________________________________________
Mais Notícias CCM
Imperceptível a olho nu, a degradação do sistema de estabilização térmica pode levar peças recicladas à falha precoce em campo. O ensaio de Tempo de Indução Oxidativa (OIT) é uma ferramenta essencial para prever a vida útil das poliolefinas e orientar quanto à necessidade de nova aditivação dos lotes.
16/09/2026
Técnica termogravimétrica permite mensurar com exatidão as frações de resina, cargas minerais e aditivos, alinhando a formulação nominal com as especificações técnicas da peça.
01/09/2026
A calorimetria exploratória diferencial (DSC) consolida-se como ferramenta de rotina para detectar contaminações, degradações e falhas de aditivação antes que o lote de material reciclado entre na linha de produção.
25/08/2026