Um dos principais fornecedores de aditivos para PVC, a alemã Baerlocher, com unidade brasileira em Americana (SP), desenvolveu uma tecnologia de estabilizantes denominada Baeropol, que simplifica o processo de reciclagem de poliolefinas.

 

Pacotes de aditivos antioxidantes, por exemplo, estão disponíveis em forma de grânulos ou pastilhas (foto), o que evita a formação de poeira durante o manuseio dos materiais reciclados. Com conteúdo 100% ativo, os aditivos podem ser acrescentados diretamente na formulação, melhorando o seu desempenho, o que é perceptível, por exemplo, no caso da fabricação de filmes tubulares, em que menores índices de gelificação resultam em menor formação de bolhas, mais homogeneidade e melhor desempenho mecânico.

 

Testes feitos na empresa norte-americana KNF Flexpak revelaram ser possível trabalhar com filmes de material 100% reciclado. A tecnologia resolveu problemas de variação de qualidade, evitando a formação de géis, bolhas e outras irregularidades que anteriormente impediam a empresa, fabricante de embalagens personalizadas, de incorporar filmes pós-industriais em certas aplicações. Em outro teste bem-sucedido, a KNF Flexpak e a Baerlocher firmaram uma parceria com a Erema, fabricante de equipamentos de reciclagem de plástico, para o uso da tecnologia Baeropol em material proveniente de sucata, o que também teve bons resultados.

 

Henrik Eriksson, gerente técnico de produto da Baerlocher, comentou que as propriedades de processamento inconsistentes são um dos principais motivos pelos quais os processadores têm reservas quanto ao uso de plásticos reciclados. Como o produto estabiliza o índice de fluxo (MFI) dos materiais durante a reciclagem, este problema pode ser amenizado.

 

Os aditivos podem também ter como efeito a promoção da solidificação mais rápida do polipropileno, assim como a sua distribuição uniforme nos moldes, levando a tempos de ciclo mais curtos e garantindo a estabilidade dimensional lote a lote.

 

Roberto Nunez, gerente de negócios da operação da Baerlocher nos Estados Unidos informou que mesmo com a pandemia, o mercado para os reciclados continua forte, especialmente com relação às grandes marcas, que tendem a manter as suas metas de sustentabilidade estabelecidas antes da crise sanitária. Por isso a empresa tem dedicado grande parte do seu esforço de pesquisa à criação de novos aditivos voltados para o processamento desses materiais.

 

Polietileno reciclado para tubos

 

Entre os projetos que estão em teste em clientes selecionados está um agente compatibilizante PP/PE, contendo ainda um intensificador de resistência à fusão do PE. A ideia é fazer com que polietilenos reciclados, com baixa resistência à fusão, se transformem em materiais adequados para extrusão de tubos ou para a moldagem por extrusão e sopro de peças grandes.

Desenvolvimentos deste tipo visam tornar os materiais reciclados uma real alternativa para fabricantes de diversos produtos, o que pode contribuir para equilibrar o mercado diante de oscilações da oferta de resina.


Foto: Baerlocher

 

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