Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh (EUA), em cooperação com a rede hospitalar UPMC (EUA), publicaram no periódico Resources, Conservation & Recycling um estudo fundamentado em Análise do Ciclo de Vida (ACV) e Análise de Fluxo de Materiais (AFM) que quantificou o consumo de plásticos de uso único em cinco unidades de saúde norte-americanas, visando orientar intervenções de economia circular na cadeia médico-hospitalar.

 

A investigação estabelece parâmetros quantitativos para que os transformadores de produtos plásticos readequem o projeto de peças (ecodesign) e a seleção de resinas, alinhando a manufatura às metas de sustentabilidade dos compradores da área médica sem comprometer os requisitos operacionais das aplicações.

 

Os levantamentos indicam expressiva variação no volume de resíduos plásticos gerados, estendendo-se de 20,2 toneladas/ano em um centro cirúrgico até 711,5 toneladas/ano em hospital de grande porte (1.400 leitos). A caracterização por tipo de material identificou o poli-isopreno (borracha sintética) e o polipropileno (PP), nas formas rígida e de não tecido, como as frações dominantes em massa e em impacto de Potencial de Aquecimento Global (GWP) na fase de produção das resinas.


Em uma unidade hospitalar de 520 leitos, por exemplo, a demanda anual por poli-isopreno alcançou 89,8 toneladas, enquanto o PP rígido somou 64,4 toneladas. Entre as famílias de produtos, os equipamentos de proteção individual (EPIs), as mantas de esterilização (blue wrap) e os sistemas para coleta de fluidos concentram as maiores taxas de consumo.

 

Para as indústrias do segmento de transformação, o modelamento desse tipo de cenário aponta o potencial de redução da pegada de carbono global do portfólio de produtos para uso médico em até 25,5%, além de proporcionar uma diminuição de 12,0% na massa total de polímeros processados.

A substituição pontual de matrizes fósseis por alternativas de base biológica também foi considerada, demonstrando a capacidade de redução de 16,3% do GWP específico, sem necessidade de modificações nas linhas de produção atuais.

 

Por outro lado, o trabalho revelou restrições em rotas de final de vida útil: a reciclagem mecânica de mantas de PP, apesar de reduzir em 9,9% as emissões associadas ao produto, gerou um acréscimo residual no impacto global do sistema hospitalar (+0,6% no GWP total) em função do consumo energético requerido nas etapas logísticas de coleta, triagem e reprocessamento.


Diante desses resultados, as diretrizes propostas orientam os fabricantes de artigos médicos a priorizar ações de engenharia de produto orientadas à redução de peso (como o redesenho de dispensadores de luvas) e ao desenvolvimento de estruturas monomaterial que viabilizem a reciclagem técnica pós-uso.


O estudo completo, de autoria de Nathalia Silva de Souza Lima Cano, Michael L. Boninger, Noe Woods, Isabela-Cajiao Angelelli,Robert J.Paug e Melissa M. Bilec, pode ser consultado e baixado em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921344926002624.


 

Imagem: Philippe Spitalier /Unsplash


 

 

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