O setor de máquinas e equipamentos no Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com retração de 13,8% no consumo aparente e de 13,6% na receita líquida total frente ao mesmo período de 2025, em decorrência do enfraquecimento da demanda doméstica e devido aos efeitos da política monetária, segundo dados consolidados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq, Brasil) divulgados no relatório conjuntural de julho.

 

No mês de junho, embora a receita líquida tenha atingido R$ 24,2 bilhões — avanço de 2,0% em relação a maio —, o montante permaneceu 10,7% abaixo do resultado registrado no mesmo mês do ano anterior. Para o chão de fábrica, o cenário refletiu na manutenção do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) em 78%, patamar que ainda não estimula novos projetos de expansão ou renovação de parque fabril.


Apesar do recuo nos investimentos gerais, a importação de máquinas e equipamentos apresentou expansão de 3,9% no semestre (alcançando US$ 16,27 bilhões), tendo sua participação aumentada para 47,7% do consumo aparente nacional. O avanço da presença estrangeira no mercado interno foi liderado por fornecedores da China (China), cujos embarques para o Brasil cresceram 15,9% no período, enquanto as aquisições de outras origens recuaram 1,8%. Entre as categorias de bens importados da China, destacou-se o segmento de máquinas voltadas à indústria de transformação — do qual fazem parte as máquinas-ferramenta e para conformação —, com expansão de 20,9% nas compras externas.


Dados de desempenho da receita líquida de vendas do setor de máquinas no primeiro semestre. Fonte: Abimaq

 

No comércio exterior, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos totalizaram US$ 6,5 bilhões no primeiro semestre, o que representa uma alta de 12,7% sobre o mesmo período do ano passado, impulsionadas pelos mercados da Europa (+18,6%), América do Sul (+7,6%) e América do Norte (+4,6%).

 

Contudo, o setor de máquinas para a indústria de transformação de metais registrou retração de 4,1% nas vendas externas em junho. Além disso, a valorização de cerca de 10,5% da moeda nacional frente ao dólar atenuou a conversão do faturamento exportado em reais, limitando o impacto financeiro positivo do volume embarcado sobre a receita fabril.

 

Já as carteiras de pedidos subiram para 9,7 semanas de produção em junho — alta de 4,8% em relação a maio, puxada por projetos de infraestrutura e indústria de base —, embora permaneçam 1,8% abaixo da média registrada na primeira metade de 2025.

 

O quadro de pessoal ocupado encerrou o semestre com 416,5 mil trabalhadores, mostrando leve variação de +0,1% frente a maio e recuperação concentrada nos fabricantes de equipamentos para a indústria de transformação, logística e componentes para bens de capital.

 

Imagem; Abimaq


 

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