Hellen Souza, da redação

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou, em agosto, em Brasília e com transmissão on-line, a coleção “Cadernos Prospectivos: Mapeamento de Competências do Profissional da Base Industrial de Defesa”, com o objetivo de orientar decisões estratégicas e apoiar o fortalecimento tecnológico da cadeia produtiva nacional para o setor nos próximos dez anos.

 

A coleção é resultado de uma iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), e foi elaborada com base em metodologia estruturada de análise prospectiva desenvolvida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

 

A publicação antecipa tendências organizacionais, ocupacionais e tecnológicas no setor de defesa e segurança nacional, identificando oportunidades para as empresas de usinagem e fabricação mecânica com interesse em atuar como fornecedoras destes segmentos, com aplicações tanto civis quanto militares.

 

São identificadas mais de 120 tecnologias emergentes que passam a ter forte presença na cadeia fabril, exigindo adequação em processos produtivos, infraestrutura de testes e qualificação da mão de obra para o atendimento a padrões rigorosos de qualidade e confiabilidade. Ao todo foram elaborados oito estudos prospectivos com ênfase nos segmentos: aeroespacial; armas e equipamentos de controle de tiro; defesa cibernética; sistemas C4ISTAR (controle, comunicações, computação, inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento); munições, propelentes e explosivos; plataformas marítimas e fluviais; plataformas veiculares militares terrestres e uniformes militares.

 

A manufatura aditiva (impressão 3D), por exemplo, ganha destaque como método crucial para a fabricação de peças para armamentos. Os materiais avançados como ligas metálicas e aços de alta resistência são apontados como estratégicos, assim como os tratamentos e revestimentos que visam aumentar a vida útil, reduzir o peso e melhorar o desempenho térmico de equipamentos, requisitos já bastante conhecidos pelos profissionais do setor metal mecânico.

 

A análise destaca a convergência dos setores industriais para ambientes de manufatura digital e integrada. No chão de fábrica, essa transição exige a adequação das rotinas operacionais em favor de processos que exigem integração de sistemas, análise de dados e controle dimensional avançado em tempo real.

Modelo utilizado na prospecção dos dados para realização do Estudo da CNI/ABDI.

 

Com base nesse cenário, os cadernos recomendam ações estruturadas para atualização curricular, capacitação técnica e investimentos em infraestrutura e laboratórios, visando reduzir dependências externas em áreas críticas. Ao conectar desenvolvimento tecnológico e formação profissional, a iniciativa oferece diretrizes para que empresas do setor metal mecânico adaptem suas capacidades fabris, com foco no aumento da competitividade e na consolidação da autonomia tecnológica do país.

 

Os Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa (BID) podem ser baixados gratuitamente aqui.

 

 

Imagens: CNI/ABDI

 

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