Em uma carta aberta dirigida aos chefes de estado e de governo que participarão da Conferência do Clima, a COP28, de 30 de novembro a 12 de dezembro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, 131 grandes grupos empresariais de todo o mundo estão pedindo a eliminação gradual dos combustíveis fósseis da matriz energética global. Juntas, as empresas que assinaram a carta representam quase US$ 1 trilhão em receita anual.

O movimento é coordenado pela We Mean Business Coalition, uma organização sem fins lucrativos voltada para acelerar a ação climática global com foco no mundo dos negócios. Segundo a carta, a preocupação das empresas é principalmente com os impactos e o custo sobre os negócios causados pelo aumento de eventos climáticos extremos resultantes das mudanças climáticas.

Por um cálculo da carta, a transição energética para o net zero poderia impulsionar o PIB global em 4% até 2030. Os signatários apoiam a triplicação da capacidade de energia renovável nesse período, o que aliás foi acordado por líderes do G20 em reunião em setembro em Nova Delhi, na Índia. Isso significaria meta global de pelo menos 11 TW no período, além da duplicação da taxa de eficiência energética até 2030.

Por aceleração da transição, as empresas entendem também que seria necessário os países avançados se comprometerem a alcançar sistemas de energia 100% descarbonizados até 2035 e, o mais tardar, em outros países, até 2040. Nesse sentido, ressaltam a demanda por apoio a países do “Sul Global” na diversificação de seus sistemas energéticos e no desenvolvimento de caminhos econômicos alinhados a aumento no aquecimento limitado a 1,5°C, inclusive por meio da provisão de financiamentos sustentáveis e capacitação para as economias mais desfavorecidas.

A manifestação das empresas entende ainda que uma política de eliminação gradual das fontes poluentes seria suficiente para diminuir pela metade as emissões do setor energético nesta década. “Para descarbonizar o sistema energético global, precisamos aumentar a energia limpa tão rapidamente quanto eliminamos gradualmente o uso e a produção de combustíveis fósseis. Isso significa turbinar a revolução das energias renováveis, eletrificar setores-chave e melhorar massivamente a eficiência”, afirma a carta.

Os 131 signatários da carta abrangem empresas da Europa, Ásia, Austrália, América do Norte e América do Sul, dos setores de energia, transporte rodoviário, saúde, tecnologia, logística, bens de consumo, entre outros. Entre as empresas signatárias estão Volvo, BT Group, Vodafone, Heineken, Mahindra Group, Godrej Industries Limited, Unilever, JLL, Bayer, Ørsted, Ikea, Nestlé, eBay, Decathlon e Iberdrola. Há apenas um grupo brasileiro na lista, a indústria de cosméticos Natura.



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