A Amerisolar Brasil, sétima fábrica mundial da indústria de módulos fotovoltaicos com origem nos EUA, começa a funcionar neste mês de maio com uma planta de 8 mil m2 na área industrial do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte. A empresa, joint-venture entre a Amerisolar dos EUA com a Nova Renováveis, de Minas Gerais, terá capacidade de produzir de 100 a 200 MW de painéis solares, informou em nota a matriz da empresa em Xangai. A Amerisolar Painéis de Energia Ltda. recebeu investimentos de US$ 20 milhões e inicialmente vai montar módulos em quantidade equivalente a 10 MW por ano, dos quais metade será exportada para a América do Norte e a outra destinada ao mercado interno. De acordo com Marcelo Barbosa Figueiredo, sócio e diretor comercial da nova empresa, o plano de negócios prevê retorno do investimento em cerca de ano e meio. “Tínhamos expectativa de faturar, já neste primeiro ano, R$ 100 milhões no mercado brasileiro, porém a pandemia de Covid-19 nos fez baixar um pouco a previsão, para entre R$ 70 e 80 milhões. Mas para o ano que vem os R$ 100 milhões de faturamento são factíveis”, diz.

A fábrica vai utilizar componentes importados da Amerisolar de Xangai e produzir aqui inicialmente módulos de silício policristalino de 330 e 340 Wp. Também estão em processo de homologação pelo Inmetro dois modelos monocristalinos de 375 e 405 Wp, além de um módulo meia-célula (half-cell) de 460 Wp. Os mercados preferenciais da empresa no País são os de geração centralizada e o de minigeração até 5 MW.

Segundo o diretor comercial, a empresa tem convicção de que haverá um boom de projetos de GD de maior porte ainda em 2020 e ao longo de 2021, antes da entrada em vigor da nova regulamentação do sistema de compensação de energia que está sendo elaborada pela Aneel. “Quando elaboramos o plano de negócios, nosso foco era a montagem de kits para minigeração, pois achávamos que as mudanças eram iminentes. Agora a expectativa mudou um pouco e dobramos a aposta nas plantas acima de 3 MW e também nas de geração centralizada”, diz Figueiredo. A empresa vai atuar diretamente nessas faixas de potência mais altas, e por meio de representantes e integradores para os sistemas de menor porte. “Temos como princípio não passar por cima dos parceiros. Respeitamos a cadeia de fornecimento.” Por outro lado, para o diretor, a crise da economia causada pelo coronavírus deve alijar uma parte das empresas do mercado, e a Amerisolar Brasil “estará pronta para ocupar esses espaços, senão diretamente, por meio de franqueados”.

O plano da Amerisolar Brasil é estar presente em todos os Estados brasileiros até o final deste ano. A empresa já nasce com representantes em todo o estado de Minas Gerais (11 regiões), além de Goiás, Brasília, Piauí, Ceará, Amazonas, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Essa rede foi iniciada pela Nova Renováveis, que já atuava como importadora da Amerisolar antes de compor a joint-venture. “A Amerisolar dos EUA vendeu em 2019 no Brasil r$ 84 milhões de contratos já pagos e mais 34 milhões de contratos assinados”, informa. Já a Nova, da qual Marcelo Figueiredo também é diretor, tem apenas dois anos de atuação e já conta 63 MWp instalados em plantas de todos os portes.

Para montar os módulos no País, a Amerisolar Brasil celebrou parceria com a BH Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, o qual foi recentemente certificado pela Receita Federal como “aeroporto industrial”, sendo o primeiro da categoria do País. As indústrias instaladas no aeroporto contam com isenção fiscal nos insumos importados para o processo produtivo e na exportação do produto acabado. “O contrato permite que montemos os módulos praticamente como se estivéssemos no exterior”, diz Figueiredo. Para investir no local, a Amerisolar Brasil obteve como contrapartida da concessionária a exclusividade de fabricação de módulos FV no aeroporto por três anos. O acordo obriga a empresa a direcionar 50% de sua produção para exportação, entre outras exigências.

A Amerisolar possui fábricas na China (foto), EUA, Vietnã, Coreia do Sul, Indonésia, Austrália e agora no Brasil. Sem contar os resultados das unidades australiana, que também é recente, e brasileira, a empresa registra vendas anuais de 2,2 GWp em módulos FV.



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