A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram na semana passada os resultados da “1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética – 2026-2030 (PLAN 2026-2030)”. A perspectiva agora é de crescimento médio anual de 4% da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) no período. Na comparação com a previsão da carga para o PLAN 2026-2030, houve uma redução média anual de 283 MW médios nas expectativas (-0,3%).
Para 2026, projeta-se agora um aumento de 3,1%, atingindo 83.826 MW médios no final do ano. Em 2030, espera-se que a carga global alcance 98.824 MW médios. Os resultados consideram a introdução da micro e minigeração distribuída (MMGD), a expansão dos data centers e, desde setembro de 2025, a integração de Roraima no Subsistema Norte.
Segundo o estudo, a previsão de capacidade instalada de MMGD acumulada prevista para 2030 é agora de 67,5 GW, com queda de 1,9 GW (-2,8%) em relação ao PLAN 2026-2030. Em termos de capacidade média, o parque de MMGD é previsto atingir 10,43 GW médios em 2030.
Como fatores negativos para a expansão da MMGD, o documento cita o corte de subsídio no imposto de exportação na China, manutenção do percentual de imposto de importação de módulos FV no Brasil, saturação de mercado de alto consumo, manutenção de altas taxas de juros (posto que 50% dos sistemas são financiados), negativas de acesso em função de inversão de fluxo (principalmente em MG, SP, RS, MA e RR), aumento da cobrança do Fio B (Lei n. 14.300) e incertezas pós 2028.
Por outro lado, o documento lembra fatores positivos, como o incentivo ao armazenamento via Lei nº 15.269/2025, o benefício do REIDI para minigeração, o ainda baixo percentual de adotantes em nível nacional, sistemas “grid zero”, veículos elétricos, sistemas flutuantes sem limite de capacidade e outros. No campo das incertezas, são listadas, entre outras, a abertura do mercado para baixa tensão, curtailment aplicado à MMGD e possibilidade de mudança na tarifa branca.
Já no lado da carga, a revisão aumenta em 481 MW médios anuais a previsão de acréscimo de carga de data centers na rede básica do SIN. Em 20 de março, quando foi feita a consulta na base de dados para o estudo, havia 22 contratos assinados e 18 pedidos de acesso de data centers favoráveis emitidos, contra 8 contratos assinados e 21 pedidos de acesso favoráveis no estudo do PLAN 2026-2030. O acréscimo de carga representado por essas instalações é previsto agora chegar a 3.457 MW médios em 2030 (contra 2.157 MW médios da previsão original), com concentração nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul.
A estimativa de crescimento do PIB em 2026 foi revista de 2,1% para 2,0%, uma leve queda de 0,1 ponto percentual. Para o horizonte de 2027 a 2030, foram mantidas as projeções anteriores, cenário que pode ser alterado em caso de acirramento de conflitos geopolíticos, incertezas na política fiscal e monetária, além dos impactos das mudanças climáticas.
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