A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) anunciou esta semana que uma fábrica de gelo alimentada a energia solar fotovoltaica começou a operar recentemente na comunidade Santa Helena do Inglês, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, no município de Iranduba, Amazonas. Segundo a FAS, o projeto Gelo Caboclo permite a produção local de gelo, reduzindo custos logísticos, evitando desperdícios e fortalecendo a economia da região.

Com capacidade média de produção de uma tonelada de gelo por dia, a fábrica opera com água de poço artesiano exclusivo e energia gerada por usina solar dedicada, garantindo qualidade e autonomia no funcionamento. A estrutura também conta com câmara fria e espaço de armazenamento, permitindo atender à demanda mesmo em períodos de maior atividade pesqueira.

A iniciativa impacta diretamente a cadeia produtiva do pescado, especialmente do jaraqui, espécie fundamental para a alimentação e a geração de renda na região. Também fortalece outras atividades econômicas, como o turismo e o comércio local. “É muito importante ter essa fábrica de gelo aqui, tanto para os pescadores quanto para os empreendedores, donos de pousadas e do barco turístico que frequenta a região. Antes, o pescador precisava ir até a cidade (Manaus), gastava com combustível e perdia até dois dias nesse deslocamento. Muitas vezes, o gelo começava a derreter no trajeto e, se ele não conseguisse pescar, o investimento de R$ 800 a R$ 1.200 era perdido”, diz Demétrio Júnior, comunitário e empreendedor da fábrica, citado pela FAS. Agora os pescadores das comunidades próximas podem primeiro capturar o pescado e só depois adquirir o gelo necessário para armazená-lo e transportá-lo.

O projeto é executado pela FAS com apoio da Positivo Tecnologia, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) — política pública da Suframa, coordenada pelo Idesam —, além da parceria da UCB Power e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. O valor do investimento não foi divulgado pela FAS, mas segundo reportagem do site da Agência Brasil, a Positivo aportou R$ 1,3 milhão como investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, em troca de benefícios fiscais, e a UCB Power forneceu baterias no valor de R$ 200 mil, totalizando R$ 1,5 milhão.

Atualmente, duas pessoas atuam diretamente na operação da fábrica, mas os impactos da iniciativa já alcançam mais de 200 famílias, totalizando cerca de 600 pessoas ligadas à cadeia produtiva da pesca, do turismo e do comércio no entorno da fábrica.



Mais Notícias FOTOVOLT



Cemig inclui baterias em chamada de eficiência energética

Edital prevê R$ 150 milhões para eficientização de instalações consumidoras e também geração de energia solar

16/10/2026


Absae lança estudo Visão 2030 e propõe agenda para integrar armazenamento

Documento aponta prioridades regulatórias, econômicas e institucionais e propõe coordenação nacional pelo CNPE

16/10/2026


Restrição para injetar na rede impulsiona baterias e zero grid

TTS já implantou 27 MW em 25 projetos sem exportação de energia e identifica maior demanda por geração própria com controle e armazenamento

16/10/2026