O 3º Leilão para Suprimento aos Sistemas Isolados de 2025 (Sisol), realizado dia 26 de setembro pela CCCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e pela Aneel, resultou na contratação de dois lotes que somam investimentos de R$ 312,8 milhões, com total de 50 MW de potência. Os empreendimentos ― usinas híbridas solar/diesel e com armazenamento por baterias (BESS, em inglês) ― vão atender localidades do Amazonas e Pará não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Como destaque, o Lote 3, vencido pelo Consórcio IFX-You.on, que arrematou o atendimento ao município de Jacareacanga (PA), terá usina híbrida com 30,1 MW de potência instalada, com 30 MW de armazenamento em baterias e 18 MW de geração solar e 11,2 MW de geração térmica a diesel. A solução BESS é a maior já contratada no Brasil para essa aplicação, com potência igual ao sistema da transmissora ISA Energia em Registro (SP). 

O investimento total na usina no Pará será de R$ 240 milhões, sendo que a contratação alcançou deságio de 46,89% com preço final de energia de R$ 1.593,16/MWh. O índice de renovabilidade dessa unidade é de 80%, bem acima do exigido pelo leilão, cujo mínimo era de 22%.

Já o Lote 1, que abrange as localidades de Cabori, Camaruã, Limoeiro, Novo Remanso e Parauá, no Amazonas, teve como vencedora a Energias do Acre SPE Ltda. O projeto prevê cinco usinas híbridas totalizando 20,165 MW de potência, sendo 14 MW de térmicas a diesel, 6,16 MW em solar e apenas 0,6 MW em BESS. Daí o índice de renovabilidade médio do projeto ter sido baixo, apenas 1% acima do exigido, com 23%. O lance final de R$ 2.729,70/MWh desse lote representou um deságio de 22,01%, com investimento estimado em R$ 72,8 milhões.

O certame, regido pela Portaria Normativa GM/MME nº 92 de 2024, previa três lotes, mas o Lote 2, referente ao atendimento a municípios do Amazonas como Coari e Codajás, foi retirado na semana anterior ao leilão a pedido do MME - Ministério de Minas e Energia.

Segundo o presidente da CCEE, Alexandre Ramos, porém, a operação reforçou a competitividade do setor. “Conduzimos mais um processo eficiente e seguro, que atraiu um volume expressivo de empreendedores. A sinergia entre Aneel e EPE foi fundamental para garantir segurança e sustentabilidade no suprimento aos sistemas isolados”, afirmou. Houve 160 projetos habilitados, dos 241 cadastrados.

De acordo com o MME, cerca de 30 mil pessoas serão beneficiadas pelos novos contratos, dentro do programa Energias da Amazônia. Segundo o ministério, a iniciativa busca levar energia confiável a comunidades remotas, associando inovação tecnológica com tarifas mais vantajosas, a partir dos deságios obtidos no leilão.

O início de suprimento para os dois lotes contratados está previsto para 20 de dezembro de 2027, com contratos de 180 meses de duração.



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