Uma pesquisa desenvolvida pela Eletrobras nas instalações da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (RO), avaliou a influência de diferentes tipos de solo na geração de energia solar com módulos bifaciais, que utilizam também a radiação refletida no solo. Por sete meses, seis tipos de solos (ráfia, polietileno, grama verde sintética, grama branca sintética, bidim e pedregoso) foram estudados simultaneamente em uma área de 14 mil m², onde foram instalados 1.440 módulos solares com capacidade total de 735 kWp.

A usina tem cerca de 10% do tamanho de uma usina fotovoltaica média para a geração comercial. Em termos de projeto de pesquisa, foi o primeiro em grande escala para avaliar o papel do solo na produtividade dos módulos bifaciais. Estudos já disponíveis no mercado indicam que esses equipamentos podem gerar até 30% mais energia do que os módulos tradicionais, monofaciais. A proposta foi ampliar o conhecimento.

“O maior diferencial e ineditismo dessa pesquisa é que a capacidade de avaliação não foi comprometida pelas questões ambientais. Todos os tipos de solos foram avaliados simultaneamente, com as mesmas interferências externas, como chuva, incidência solar e temperatura. Nesse espaço controlado, foi possível ter dados mais precisos e confiáveis”, explica André Schiante, gerente de Engenharia e Planejamento na Hidrelétrica Santo Antônio.

O estudo foi realizado em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e a empresa Volt Max Engenharia, e demonstrou que, ao comparar o custo de instalação e manutenção com o retorno em produtividade na geração, a diferença entre os seis tipos de solo é pequena. Porém, a curto prazo, o solo que apresenta mais benefício é o pedregoso, que é o solo natural do ambiente. Apesar de o polietileno ter demonstrado maior eficiência na geração entre os solos avaliados, seu custo de implantação é três vezes maior, ou seja, 300% mais caro que o pedregoso, por exemplo.

Porém, segundo Schiante, a decisão de qual solo usar deve levar em consideração as estratégias do investidor, comparando as características do ambiente onde a planta será instalada, as especificidades do projeto e seus objetivos de curto e longo prazo. “Os números também permitem planejar o aumento da produção em usinas já existentes”, complementa André Gimenes, coordenador do Grupo de Energia do Departamento de Energia e Automação Elétricas da USP.

 Outro fator relevante sobre os resultados da pesquisa é que o solo pedregoso, que apresentou um dos melhores resultados de geração e menor custo para implementação, já é um solo com baixa aptidão para o plantio. “A energia solar é um modelo de fonte limpa e renovável, mas para fins comerciais é necessário destinar áreas extensas. E o estudo demonstrou que escolher áreas rochosas, além de otimizar custos de produção, também pode reduzir o impacto ambiental e tornar o projeto mais sustentável”, explicou Schiante.

A pesquisa integrou o Programa de Eficiência Energética (PEE) da Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica. O relatório final ficará disponível para o setor elétrico no site da agência.



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