Os pontos quânticos, semicondutores com o tamanho de poucas a várias dezenas de nanômetros que podem ser utilizados como células fotovoltaicas transparentes, estão deixando de ser apenas uma promessa futura. Além de várias pesquisas para torná-los viáveis comercialmente, na produção de vidros nano-fotovoltaicos para uso em janelas e outros produtos de consumo, já há casos de produtos prontos.

Um exemplo ocorre com a empresa polonesa ML System, que desenvolveu um vidro solar – em breve em escala industrial – pelo qual a luz solar incidente é convertida em eletricidade por pontos quânticos semicondutores nanocristalinos. A proposta é aliar a estética transparente, igual à de um vidro comum, com a ativação energética para a fachada ou janelas de construções. E ainda, de acordo com a ML System, o sistema agrega a propriedade de isolamento térmico, visto que os vidros solares reduzem em até 80% o calor do ambiente interno.

Com esse conjunto de propriedades, a eficiência energética do nanomaterial empregado nos vidros se torna muito grande: além de gerar energia solar fotovoltaica, o produto ainda reduz a demanda de refrigeração nos meses mais quentes. Em média, os vidros solares reduzem em dois graus Celsius a temperatura do ambiente interno, além de protegerem os ocupantes da radiação ultravioleta e infravermelha, usadas pelos pontos quânticos para gerar eletricidade.

A geração de energia segue o mesmo princípio das células solares cristalinas convencionais mas, por conta de sua nanoestrutura, os pontos quânticos têm a vantagem de criar filmes finos e, portanto, são menos dependentes dos ângulos de incidência solar do que os sistemas com módulos planos de células cristalinas. Daí a possibilidade de seu uso em fachadas ou mesmo em telas de computadores, celulares ou outros eletrodomésticos.

A ML System trabalha com a perspectiva de começar a produzir em escala real os vidros solares até o fim do ano. Quando entrarem de fato no mercado, essas células tendem a fazer o que as convencionais cristalinas ainda não conseguiram por serem escuras: substituir o vidro em várias aplicações. Além disso, ao serem comparados com o semicondutor mais comum, o silício, os pontos quânticos têm características de absorção mais amplas. Também são mais resistentes e com durabilidade maior de eficiência de geração.

Até mesmo na comparação com outra célula promissora, a perovskita, os cientistas da área encontram vantagens. Apesar de terem em comum a flexibilidade de uso em várias aplicações e custos de produção comparáveis, por não demandarem muito energia para a produção, os pontos quânticos são considerados mais resistentes e podem ser totalmente transparentes, adquirindo até outras cores, o que não é possível com as células de perovskita. Além disso, o nanomaterial pode fornecer luz.



Mais Notícias FOTOVOLT



Brasil cai no ranking dos maiores mercados fotovoltaicos

Relatório da SolarPower Europe mostra que País adicionou 14,5 GWp em 2025, com queda de 23% ante o acréscimo do ano anterior

26/06/2026


211 projetos solares pedem rescisão do CUST e revogação de outorga

Solicitações de usinas FV somam 9,3 GW. Projetos eólicos (0,3 GW) e de geração térmica (1,9 GW) também pediram anistia

26/06/2026


EPE e ONS publicam requisitos para LRCAP Armazenamento

Publicação está relacionada à Portaria Normativa MME nº 136/2026, que estabeleceu as diretrizes dos leilões

26/06/2026