A meta da presidência da COP28, Conferência do Clima em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, iniciada no dia 30 de novembro, de triplicar a capacidade de energia renovável do mundo para 11 TW em 2030, vai ser uma tarefa difícil, mas não impossível, segundo novo relatório da consultoria BNEF- BloombergNEF. Com 3,6 TW instalados até o fim de 2022, a necessidade de expansão, na análise, é condicionante para o mundo se encaminhar para as chamadas emissões líquidas zero (net zero) em 2050.

Pela projeção do cenário net zero da BNEF, para atingir essa meta o mundo precisa se concentrar em acelerar a expansão por meio principalmente das duas fontes mais baratas e rápidas para implantação, a solar e a eólica, chegando a 5,3 TW da primeira e a 3,6 TW da segunda em 2030. A meta seria complementada com as demais renováveis, como hídrica, geotérmica, biomassa e energia das marés. No cenário ideal para o net zero, as fontes renováveis juntas gerariam 22 mil TWh em 2030, contra os 8.400 TWh de 2022, abatendo 9,3 milhões de toneladas de CO2equivalente, ou 27% do total emitido pelo setor de energia em 2022.

De acordo com o relatório, sob o título de “Triplicar energias no mundo até 2030: difícil, rápido e realizável”, apenas com a fonte solar já seria possível atender as metas, em razão da facilidade de instalação e os baixos preços dos projetos globalmente. Mas com fator de capacidade baixo, com média global de 13,2% em 2022, de acordo com a BNEF, há necessidade de complementaridade com outras fontes, sobretudo a eólica. Não à toa, na mesma análise, a fonte eólica apresenta também fator de capacidade médio superior, de 27,2% em 2022. Outras renováveis, embora mais caras, têm fatores maiores ainda: as hídricas de 40% e a geotérmica, de 68%.

Com base em levantamento dos atuais pipelines de projetos e políticas públicas dos países, a BNEF aponta que as expansões precisam ser aceleradas. Pelo ritmo correspondente aos atuais cenários realistas, a consultoria prevê que as renováveis só chegarão a 9 TW em 2030. A fonte solar teria desempenho próximo do necessário, chegando a 5,8 TW, mas as eólicas deixariam a desejar, com apenas 1,9 TW, bem abaixo do demandado.

E aí entraria a principal recomendação do relatório: a fonte eólica precisa de ação conjunta de líderes dos setores públicos e privados para ter sua expansão acelerada no período, por conta principalmente da crise de custo por que passa sua cadeia produtiva, o que afetou o desempenho de empreendedores e de fornecedores de sistemas e aerogeradores, além de cancelamento e adiamento de vários projetos.

“A energia solar é barata e fácil, e o mundo poderia triplicar a capacidade de energia utilizando apenas a solar. Mas deixar outras energias renováveis para trás não seria bom para as mudanças climáticas”, disse a especialista em energia solar da BNEF, Jenny Chase, coautora do relatório. Para ela, a energia eólica tem papel para complementar a solar em horários do dia e épocas do ano, como o inverno, em que a radiação não é produtiva. Há também partes do mundo, como o Norte da Europa, com melhores recursos para energia eólica do que para a solar.

A última vez que o mundo triplicou a capacidade de energia renovável foi no período de 2010 a 2022, quando passou de 1,2 TW para os atuais 3,6 TW. Com prazo menor para fazer o mesmo, ou seja, oito anos, sob uma base bem maior, o estudo aponta como urgentes as mudanças nas políticas de incentivos às fontes e investimentos em redes de transmissão e sistemas de armazenamento para aumentar a capacidade de geração renovável dos países.



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