Com o crescimento previsto da geração distribuída em mais 19 GW até 2030 e a expectativa de avanço de novas tecnologias como os veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia ― serão mais 279 GWh em baterias residenciais estimados no País até 2035 ―, empresas de distribuição precisarão investir R$ 260 bilhões até 2030. Essas e outras tendências, as oportunidades e os desafios do setor serão temas do 18º Fórum Latino-Americano de Smart Grid, em São Paulo, dias 6 e 7 de outubro.
A transformação das redes elétricas é crucial para ampliar sua flexibilidade e resiliência. A EPE - Empresa de Pesquisa Energética preconiza que os gestores das redes de distribuição serão obrigados a sair de uma posição mais passiva para atuar ativamente na gestão dos recursos energéticos distribuídos (REDs). Entre as mudanças previstas está a adoção crescente de novos sistemas de baterias, a serem conectados em seus sistemas.
Esses serão alguns dos temas debatidos no evento, que reunirá representantes da EPE, Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica, Energisa, Cemig e vários outros agentes do setor. Estão na pauta a transformação das redes de distribuição e os seus caminhos, inclusive no sentido de ampliar sua flexibilidade e resiliência a eventos climáticos extremos.
“Este ano, vamos discutir a razão pela qual a complexidade da rede elétrica brasileira será ainda maior do que já é, em função do fato de que muitos recursos energéticos distribuídos estarão conectados em unidades dos consumidores. Isso poderá representar uma alternativa ou um complemento a investimentos tradicionais das distribuidoras”, comenta Cyro Boccuzzi, presidente do Fórum. Some-se a essa tendência o fato de que a geração distribuída deverá expandir mais 19 GW até 2030, conforme estima a EPE. Em paralelo, também segundo a EPE, a demanda de eletricidade de veículos elétricos no Brasil passará de 627 GWh em 2025 para 7,8 TWh em 2035.
A transformação do setor passa também pela abertura completa do mercado livre à baixa tensão no ano que vem. Assim, além de garantir a entrega da energia para mais de 200 milhões de consumidores e operar uma rede de 3,9 milhões de quilômetros, as empresas terão de gerir uma rede mais descentralizada, bidirecional e dinâmica, o que demandará maior capacidade de observar e coordenar os recursos instalados pelos próprios consumidores. Tudo isso se traduzirá em vultosos investimentos. Para a Abradee - Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, o setor deverá demandar R$ 260 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, seja para a sua expansão, seja para aumentar a qualidade de suas redes.
A geração distribuída (GD) é um dos principais vetores dessa transformação, ainda que a EPE projete uma desaceleração do seu ritmo de expansão nos próximos anos. Segundo a empresa, a GD adicionou 9 GW por ano nos últimos quatro anos, superando a expansão da geração centralizada. A projeção é de uma capacidade instalada de 73 GW em 2030, frente aos 54 GW existentes atualmente — ou 19 GW entre 2026 e 2030. A GD solar, porém, é apenas uma parte da transformação no setor de distribuição, adverte Boccuzzi. Sistemas de armazenamento, resposta da demanda, veículos elétricos e cargas flexíveis também devem ganhar mais espaço.
Para Thiago Ivanoski, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE, e um dos convidados do 18º Fórum Latino-Americano de Smart Grid, “mais do que simplesmente acomodar a conexão crescente desses recursos, as distribuidoras precisarão aumentar a capacidade de observação, operação e controle dos Recursos Energéticos Distribuídos (REDs) conectados às suas redes”.
Serviço
18º Fórum Latino-Americano de Smart Grid
www.smartgrid.com.br
6 e 7 de outubro de 2026
Centro de Convenções Frei Caneca (rua Frei Caneca, 569 - 6º andar, São Paulo/SP)
Programação – acesse este link
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