Uma comunidade remota da Amazônia brasileira está utilizando energia solar para viabilizar um empreendimento de beneficiamento de açaí planejado há anos, criando novas oportunidades para aumentar a renda local e fortalecer meios de vida que dependem da preservação da floresta amazônica. Na comunidade Bela Conquista, localizada na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna, no estado do Amazonas, uma minirrede solar com armazenamento em baterias (50 kWp de potência fotovoltaica e 165 kWh de armazenamento) fornecerá a eletricidade confiável necessária para operar a unidade comunitária de processamento de açaí. Até agora, o fornecimento de energia a diesel intermitente impedia a operação da unidade, contribuindo para perdas de frutas, limitando a produção e restringindo a quantidade de polpa de açaí que podia ser processada. Bela Conquista é a primeira demonstração prática de um modelo que os parceiros pretendem expandir para 20 projetos-piloto nos próximos dois a três anos. Com esses projetos, a iniciativa deve alcançar até 25 comunidades no coração da Amazônia brasileira. O modelo viabilizará diversos negócios de bioeconomia, como a produção de açaí, a pesca, a agricultura e o processamento de frutas. As instalações de sistemas solares com baterias fornecerão até 1 GWh de energia solar por ano, evitando o consumo de 255 mil litros de diesel e a emissão de 680 toneladas de CO2.
A instalação faz parte de uma parceria entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), a Global Energy Alliance for People and Planet (GEA) e o Ministério de Minas e Energia (MME). A iniciativa busca demonstrar como o acesso à energia renovável pode promover oportunidades econômicas e desenvolvimento sustentável em comunidades remotas da Amazônia.
Quase um milhão de brasileiros ainda vive sem acesso à eletricidade, sendo mais de 95% deles na Amazônia, enquanto outros dois milhões dependem de sistemas de geração a diesel poluentes e pouco confiáveis. Em comunidades remotas como Bela Conquista, o mini-grid pode fornecer eletricidade de melhor qualidade ao mesmo tempo em que criam novas oportunidades para negócios locais, serviços essenciais e geração de renda.
A unidade de processamento de Bela Conquista começou a ser idealizada em 2017. Ela nasceu da ambição dos moradores de agregar mais valor ao açaí produzido localmente, ampliar o acesso a mercados e aumentar as oportunidades econômicas para as famílias da comunidade. Ao permitir que uma parcela maior da produção seja processada localmente, o projeto oferece um exemplo concreto de como a energia limpa pode fortalecer a bioeconomia amazônica. Com o agora fornecimento de energia estável, a instalação pode produzir 36 mil litros de açaí por ano. O projeto também passou a fornecer energia para infraestruturas essenciais da comunidade, incluindo a escola, o centro comunitário, a cozinha comunitária e o poço de abastecimento de água.
Além da minirrede solar, a parceria entre GEA e FAS inclui capacitação para que os moradores possam gerir, operar e realizar a manutenção dos novos ativos energéticos. Após o treinamento, a própria comunidade será responsável pela gestão do sistema e da unidade de processamento, fortalecendo o senso de pertencimento e a sustentabilidade de longo prazo da iniciativa.
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