A Absolar- Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica apresentou uma agenda de propostas para o próximo governo federal, no período de 2027 a 2030, voltada a reduzir o desperdício de energia renovável, aumentar a flexibilidade e confiabilidade do sistema elétrico, ampliar o acesso à energia limpa e transformar a abundância de recursos renováveis em alavanca para a atração de investimentos e desenvolvimento econômico do País.

Estruturada em três frentes (Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos), a agenda prevê a contratação de pelo menos 8 GW de sistemas de armazenamento, a expansão de 18 GW em grandes usinas solares e a ampliação do acesso à energia limpa para 3 milhões de unidades consumidoras até 2030. O anúncio foi feito durante a Intersolar South America, maior feira e congresso do setor na América Latina, que aconteceu esta semana em São Paulo.

Na primeira frente, Bateria Brasil, a entidade defende a realização de leilões anuais de capacidade com neutralidade tecnológica, criando um mercado robusto para sistemas de armazenamento e dando maior previsibilidade aos investimentos no segmento. 

Também propõe ampliar o uso de baterias associadas à fonte solar, tanto em sistemas de geração própria novos e existentes, quanto em grandes usinas fotovoltaicas. A iniciativa busca responder a um dos principais desafios atuais do setor elétrico: o aumento dos cortes de geração renovável e a falta de flexibilidade operativa. Somente em 2025, os cortes de geração renovável representaram uma perda de mais de R$ 6 bilhões, enquanto o setor continuou precisando recorrer à geração termelétrica para atender aos períodos de maior demanda. Para a entidade, a entrada dos sistemas de armazenamento é estratégica, pois permite guardar parte da eletricidade que hoje é cortada e utilizá-la posteriormente, aumentando a flexibilidade e a eficiência do sistema elétrico.

A proposta inclui ainda a equalização da carga tributária das baterias com a de fontes renováveis. Atualmente, a tributação sobre sistemas de armazenamento pode chegar a 84,8%, mais que o dobro daquela incidente sobre fontes renováveis.

A segunda frente da agenda. Energia que Emprega, propõe utilizar a abundância de recursos renováveis do Brasil como uma vantagem competitiva para atrair novos investimentos e fortalecer a economia nacional. A entidade defende uma política de Estado para estimular a instalação de indústrias eletrointensivas de baixo carbono, data centers, projetos de hidrogênio verde e outras atividades intensivas em energia limpa. A entidade também aponta oportunidades relacionadas à eletrificação dos setores produtivos, à eletromobilidade e à exportação de eletricidade limpa para países vizinhos.

A proposta inclui o planejamento da transmissão, para levar infraestrutura às regiões onde há maior disponibilidade de energia e potencial de novos investimentos. A expansão coordenada da geração renovável e das redes, segundo a entidade, é fundamental para transformar a competitividade energética brasileira em atração efetiva de capital.

Neste sentido, a agenda apresentada prevê também 18 GW em novas grandes usinas solares, capazes de atrair R$ 59,4 bilhões em novos investimentos até 2030, destinados a acompanhar o crescimento da demanda associado à instalação de novas cargas eletrointensivas, sem a necessidade de novos subsídios. A expansão solar também pode contribuir para reduzir custos associados ao atendimento de regiões isoladas e a outros encargos do setor elétrico, como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Já a terceira frente da proposta, Sol para Todos, tem como foco a universalização do acesso à energia elétrica por meio da combinação entre geração solar e armazenamento. A Absolar propõe levar sistemas solares associados a baterias para 3 milhões de unidades consumidoras, sendo 500 mil em sistemas isolados. A iniciativa busca ampliar o acesso à energia limpa e confiável e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de soluções mais caras e poluentes.

Entre as medidas está a realização de leilões anuais para sistemas isolados, com participação mínima de 50% de fontes renováveis. A entidade também propõe a substituição de 100 mil geradores a diesel por sistemas solares com baterias, reduzindo o uso de combustíveis fósseis e os custos associados ao atendimento dessas localidades, bem como diminuindo a poluição e o barulho para a população atendida.

Segundo a Absolar, o ponto em comum das três frentes está em reduzir custos estruturais do sistema elétrico e aproveitar melhor os recursos renováveis disponíveis no País, sem a criação de novos encargos tarifários. “Não estamos propondo novos custos para o consumidor, mas medidas para reduzir ineficiências e aproveitar melhor os recursos que o Brasil já possui. O País pode transformar energia renovável em mais investimentos, empregos, competitividade, segurança energética e sustentabilidade. Essa é uma agenda de Estado que precisa atravessar os próximos anos e orientar o planejamento do setor elétrico brasileiro”, diz a presidente do conselho de administração da associação, Bárbara Rubim.



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