O ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico está desenvolvendo o Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG), mecanismo de proteção destinado a realizar cortes automáticos de geração em situações de sobrefrequência no Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida integra as ações do Operador para adaptar a operação à crescente participação de recursos energéticos distribuídos e à maior complexidade do sistema elétrico.

O ERAG funcionará de forma análoga ao Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC), utilizado há décadas para cortar parcelas da carga em situações de subfrequência e evitar a propagação de perturbações. No novo esquema, porém, a atuação ocorrerá sobre a geração quando a frequência do sistema subir além dos limites estabelecidos.

Segundo Sumara Ticom, assessora da Diretoria de Planejamento do ONS, o mecanismo funcionará como uma última camada de segurança. A atuação ocorrerá apenas em situações nas quais outras possibilidades de redução da geração já tenham sido esgotadas, incluindo os cortes realizados na rede básica e o acionamento do Plano de Excedentes de Geração. “De repente, ocorre uma situação no sistema não prevista e a frequência começa a subir. A gente coloca essa rede de proteção, que é esse corte de geração, para fazer a proteção e evitar um grande blecaute”, explicou durante palestra realizada no congresso Intersolar South America, em 26 de agosto.

O acionamento será automático, por meio de relés, sem intervenção do operador. O ONS tem realizado estudos elétricos para determinar os montantes de geração a serem cortados e os ajustes das proteções. A próxima etapa prevê a realização de um workshop com distribuidoras e participação da Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica para discutir o funcionamento do esquema e a distribuição dos montantes de corte.

A operacionalização deverá ocorrer por intermédio das distribuidoras. O ONS indicará os montantes de geração que precisarão ser cortados em cada estágio, enquanto caberá às concessionárias definir, junto aos agentes conectados às suas redes, como esses cortes serão implementados.

De acordo com Sumara, diferentemente do Plano de Excedentes de Geração, utilizado de forma programada em períodos de excesso de oferta, o ERAG é concebido para eventos excepcionais e deverá ter baixa frequência de atuação. “O ERAG é uma rede de segurança”, destacou.

A implantação do esquema foi incluída entre as metas prioritárias do ONS. A previsão é iniciar o processo de implementação até dezembro de 2026, embora nem todos os estágios necessariamente estejam implantados até essa data.

Além do ERAG, o ONS trabalha em outras frentes relacionadas à crescente presença de geração conectada às redes de distribuição. Entre elas estão estudos sobre a implementação do DSO, a reclassificação de usinas para ampliar a observabilidade e a controlabilidade pelo Operador, a elaboração de mapas dos fluxos de geração entre as redes de distribuição e a rede básica e a atualização dos Procedimentos de Rede relacionados aos recursos energéticos distribuídos.

Segundo Sumara, a transformação da matriz exige maior integração desses recursos à operação. “A gente não pode imaginar que é possível operar um sistema com segurança se essa geração não fizer parte do todo, se ela não atuar de uma forma diferenciada também contribuindo para a operação do sistema”, concluiu.



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