Com o avanço dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil, surge uma discussão em torno da importância dos processos de certificação dos equipamentos e instalações, especialmente diante da perspectiva de crescimento de projetos associados às fontes solar e eólica e da preparação dos primeiros leilões de reserva de capacidade dedicados ao armazenamento.

Segundo Vinicius Gibrail, diretor da Divisão de Produtos Solares e Comerciais da TÜV Rheinland, a certificação de um BESS envolve diferentes níveis do sistema, desde células e módulos de baterias até inversores, sistemas de gerenciamento (BMS) e a instalação integrada. O objetivo é verificar aspectos relacionados à segurança elétrica e operacional, desempenho e interação com a rede.

Entre as referências internacionais utilizadas estão as normas IEC 62619 e IEC 63056, que estabelecem requisitos de segurança para baterias de íons de lítio utilizadas em aplicações industriais e estacionárias. Os ensaios incluem situações como curto-circuito, sobrecarga e superaquecimento. Para o transporte das baterias, o protocolo UN 38.3 estabelece testes relacionados, entre outros aspectos, a vibração, impacto e variações de altitude.

No nível dos sistemas de armazenamento, também são adotadas referências como a UL 1973 e normas voltadas à segurança das instalações. Já os BESS integrados em contêineres ou salas elétricas exigem avaliações adicionais envolvendo compatibilidade eletromagnética, ventilação, proteção contra incêndio e conexão à rede. Para inversores e conversores, estão entre as referências os requisitos da série IEC 62109.

A segurança contra incêndios é outro ponto de atenção para projetos de maior porte, destaca o especialista. Entre as referências internacionais citadas estão a UL 9540A e a NFPA 855, utilizadas na avaliação do comportamento dos sistemas diante de eventos térmicos e na definição de medidas de mitigação.

No Brasil, enquanto requisitos específicos para sistemas de armazenamento conectados à rede ainda avançam no processo de regulamentação e normalização, a adoção de referências internacionais pode apoiar a avaliação técnica dos projetos e equipamentos. Segundo Gibrail, a certificação independente também pode contribuir para identificar falhas antes da entrada em operação e facilitar a avaliação dos empreendimentos por financiadores e seguradoras.



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