O Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (ISI Eletroquímica), em parceria com a Axia Energia (ex-Eletrobras), desenvolveu a primeira célula prismática de íons-lítio com química LFP (lítio-ferro-fosfato) produzida no País com matéria-prima nacional. O projeto, ap-resnetado como “um passo estratégico do Br5asil rumo à soberania tecnológica no setor de armazenamento de energia “ integra a iniciativa “Desenvolvimento de Protótipos de Bateria de Íons-Lítio com Alto Grau de Nacionalização para Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS)”. O financiamento do projeto combina recursos obrigatórios de P&D regulados pela Aneel com aportes da Embrapii.

Em comunicado do Senai Paraná, Heverson Renan de Freitas, coordenador e pesquisador em Smart Energy no Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, diz que a química LFP é uma alternativa mais econômica e estável em comparação a composições como níquel-manganês-cobalto (NMC). “[LFP] não utiliza metais mais caros, como níquel e cobalto, e é mais viável de ser produzida no Brasil, já que temos acesso a insumos disponíveis no País”, explica.

Para sair da escala laboratorial e avançar para a produção piloto, a equipe precisou enfrentar um rigor adicional nos parâmetros de fabricação e estabilidade do processo. “Levamos meses para produzir uma única unidade”, afirma Heverson. O tamanho da célula, relativamente grande, e a complexidade do escalonamento exigiram controle refinado e infraestrutura especializada. A primeira célula prismática brasileira produzida com material ativo nacional utilizou como referência modelos importados, buscando desempenho compatível para aplicações estacionárias de grande escala. 

Segundo a Axia Energia, o projeto está alinhado às estratégias de expansão da companhia. Citada no comunicado, Tatiana Araújo Sousa Martins, engenheira de desenvolvimento de projetos de geração da empresa, afirma que há grande interesse em aplicações de BESS, especialmente diante dos próximos leilões do setor. A empresa possui um portfólio de aproximadamente 2 GW, volume que, segundo ela, seria suficiente para atender sozinha à demanda prevista em um dos certames.

Tatiana também destaca que os desdobramentos do projeto vão além da célula desenvolvida. A implantação de uma planta estruturante, prevista para iniciar a produção de células no próximo ano, é vista como consequência direta da iniciativa. Outro avanço considerado estratégico é o movimento em direção à certificação nacional, ainda inexistente no País para esse segmento. “São vários movimentos pioneiros surgindo a partir de um mesmo projeto”, observa.

O Senai já trabalha na implantação de uma “megafactory” com processos industriais completos. A meta é reduzir o tempo de produção de uma célula equivalente de meses para cerca de 15 minutos.



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