A Scatec do Brasil anunciou nesta quarta-feira que vai alcançar o índice de 100% de reciclagem dos materiais contidos em painéis fotovoltaicos avariados na construção de sua usina de Rio Urucuia em Minas Gerais. A planta, de 142,31 MWp, será inaugurada ainda este ano.
Na instalação do projeto, composto de cerca de 201 mil painéis, a perda residual de módulos, seja em função de avarias em seu transporte ou por seu manuseio, será destinada a uma reciclagem especializada, capaz de obter 100% de reuso dos vários materiais que compõem os equipamentos solares danificados.
"A partir desse ano vamos além da reciclagem convencional de módulos solares. Além de vidro e metais, passaremos a reaproveitar também materiais de maior dificuldade de reciclagem, como plásticos e borrachas", afirma Ledjane Oliveira, coordenadora de Relações com Comunidades da Scatec e mestre em Engenharia de Materiais.
No ano passado a Scatec reciclou cerca de 4.700 painéis no Brasil (alcançando índices de reciclagem de 85%), oriundos da construção das usinas solares de Mendubim (Assu/RN) e Quixeré (CE). Esse trabalho evitou o envio de mais de 420 metros cúbicos de resíduos para aterros sanitários e impediu a emissão de 84,72 toneladas de CO₂ equivalente. A iniciativa permitiu que os metais fossem encaminhados a fundições e o vidro destinado a tintas asfálticas, ou à fabricação de vidros temperados. A principal preocupação inicial, contudo, era com o chumbo contido nos materiais dos painéis solares. “Sua maior presença – com uma concentração de 29,2% – está na liga que conecta uma célula a outra. Essa liga, predominantemente de chumbo-estanho, também contém 26% de cobre e 5% de prata. Ao retirar essa liga metálica e encaminhá-los à fundição, a possível contaminação dos módulos é reduzida a níveis mínimos, promovendo uma economia circular altamente vantajosa. Além disso, o chumbo recuperado pode ser reutilizado na fabricação de novos conectores ou direcionado à produção de baterias automotivas”, explica Ledjane. E a reciclagem pode inclusive ser uma oportunidade econômica pois, segundo a coordenadora, para cada real investido em reciclagem há um retorno de R$ 3,18.
Ledjane diz que a escala ainda é pequena, composta dos poucos painéis avariados em cada uma das três usinas. “Mas já pavimentamos o caminho para quando – daqui a duas décadas – as usinas solares terão as suas vidas úteis esgotadas, exigindo potencialmente a reposição de centenas de milhares de painéis por novos”, conclui.
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