Estudo publicado recentemente pela agência alemã GIZ, no âmbito da Parceria Energética Brasil-Alemanha, em cooperação com o MME - Ministério de Minas e Energia, defende que a expansão da tecnologia agrivoltaica no Brasil depende da adoção imediata de um marco técnico nacional, com critérios de produtividade agrícola mínima, limites de sombreamento, densidade máxima de módulos por hectare e indicadores obrigatórios de monitoramento energético e agronômico. 

Segundo o relatório, sob o título de “Sistemas Agrivoltaicos no Brasil: Estudo de potencial e viabilidade técnico-econômicos”, sem essas diretrizes, o País não conseguirá escalar projetos de forma segura, comparável e economicamente otimizada, apesar do elevado potencial identificado nas análises e simulações realizadas para diferentes culturas e regiões brasileiras. 

Além de um arcabouço técnico, o estudo aponta que o Brasil também precisa adotar incentivos de políticas públicas específicas para viabilizar a difusão da agrivoltaica. Entre as recomendações, o relatório sugere a elaboração de uma diretriz ou enquadramento legal alinhado à Lei 14.300 para regular a tecnologia no País; financiamento para projetos de P&D que permitam aprofundar pesquisas em diferentes biomas; e a criação de linhas de crédito voltadas à agricultura familiar, incluindo eletrificação de maquinário e apoio direto à instalação de estruturas agrivoltaicas. O documento defende ainda programas de capacitação para professores de institutos federais e outras instituições de ensino, de modo a formar mão de obra qualificada para o novo segmento.

Como vantagens naturais para adotar a solução, o relatório destaca a ampla disponibilidade de terras agrícolas do País, diversidade de cultivos adaptáveis a diferentes níveis de sombreamento e a elevada irradiação solar que supera 2.000 kWh/m²/ano em extensas regiões. Além disso, aponta a forte presença da agricultura familiar — segmento em que a tecnologia pode reduzir custos e ampliar a segurança energética – e as condições climáticas que permitem colheitas contínuas ao longo do ano.

Apesar do cenário favorável, o estudo não conseguiu encontrar experiências de grande porte no País, mas apenas em escala experimental, incluindo projetos-piloto no Pará, Alagoas, Pernambuco e Minas Gerais. Enquanto isso, em 2022, segundo o levantamento, havia cerca de 14 GWp de sistemas agrivoltaicos instalados no mundo, dos quais 1,7 GWp na Alemanha, país cujo governo pretende elevar a capacidade total de energia solar de 60 GWp para 215 GWp até 2030, tendo a agrivoltaica como uma das soluções para conciliar essa expansão com a disputa por terras agrícolas.

O documento destaca que sistemas agrivoltaicos podem reduzir evapotranspiração, mitigar ondas de calor e preservar safras em cenários climáticos extremos. Estudos internacionais citados mostram ganhos de até 86% na eficiência agronômica em testes de batata na Alemanha, além de rendimentos superiores a 80% em comparação com áreas de referência, mesmo com sombreamento parcial dos módulos.

Com sistemas que podem ser instalados em estruturas elevadas de até 5 metros, permitindo uso de maquinário agrícola, ou em formatos verticais com módulos bifaciais, as configurações suspensas, porém, tendem a elevar custos em até 52% em relação ao fotovoltaico convencional, enquanto modelos verticais reduzem investimentos estruturais e diminuem perdas por evaporação do solo.

O estudo está disponível para ser baixado neste endereço.



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