A Casa dos Ventos definiu como principal alvo de seu projeto de hidrogênio verde no Porto do Pecém, Ceará, as refinarias de petróleo da Europa, devido aos incentivos regulatórios mais vantajosos nesse segmento.
A estratégia foi apresentada nesta terça-feira, 26, no congresso da ees, evento de baterias dentro da The Smarter E South America 2025, em São Paulo, pelo diretor de projetos H2 Pecém da empresa, Mark McHugh, que ressaltou porém não haver ainda contratos de offtake firmados para o projeto, considerados fundamentais para viabilizar o empreendimento.
Segundo McHugh, o uso de hidrogênio nas refinarias europeias garante créditos adicionais frente a outras aplicações industriais, o que fortalece a atratividade econômica. “Mas o sucesso depende diretamente dos contratos de fornecimento. Sem cliente final, não há investimento”, afirmou.
Além dos contratos, outro obstáculo atual para os projetos é a falta de infraestrutura de rede, já que o ONS tem negado por enquanto pareceres de acesso para os projetos ultra-intensivos em energia no Nordeste, não só os de hidrogênio verde como os de data centers. Neste último caso, porém, a Casa dos Ventos, que prevê a instalação dessas centrais no Pecém, teve parecer favorável para a primeira fase do projeto de 300 MW pelo operador e um segundo parecer com condicionantes para a segunda fase.
O projeto de H₂V, ainda com parecer negado, é concebido para exportação de amônia, prevê 1,2 GW de eletrólise e pode ser implementado em fases, dependendo da escala de demanda contratada. “Estamos avaliando a possibilidade de duas etapas para chegar ao total projetado, de acordo com o volume de offtakes”, explicou. A companhia calcula que a planta poderá produzir até 160 mil toneladas de hidrogênio por ano, convertidas em aproximadamente 900 mil toneladas de amônia verde, destinadas principalmente ao mercado europeu.
A iniciativa será sustentada por novas usinas de geração renovável da Casa dos Ventos, estimadas em 6,6 GW de capacidade adicional em eólicas e solares, com aportes da ordem de R$ 25 bilhões. Esses projetos reforçam a estratégia da empresa de usar sua base renovável como pilar para a produção de H₂V.
A empreendedora trabalha com o cronograma de decisão final de investimento (FID) até o fim de 2026, para início de produção em 2029.
O executivo destacou que o mercado global de hidrogênio verde entrou em uma fase mais realista, após o entusiasmo inicial de 2021 e 2022. Hoje, segundo ele, os projetos precisam estar sustentados em contratos firmes e infraestrutura logística adequada.
Entre os diferenciais do Pecém, McHugh mencionou a certificação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), a elevada participação de renováveis na matriz elétrica nordestina, acima de 90%, e a parceria do Porto de Roterdã, sócio do terminal cearense. Essas condições, afirmou, permitem operação contínua das plantas de eletrólise, com maior eficiência econômica frente a competidores globais.
Ele acrescentou que a localização estratégica no Nordeste e a infraestrutura portuária já existente reduzem custos logísticos e facilitam o acesso a mercados como Estados Unidos e Europa. “Poucos locais no mundo apresentam intensidade de carbono tão baixa quanto o Nordeste brasileiro”, disse.
A Casa dos Ventos iniciou o projeto em 2021 e o considera seu carro-chefe em hidrogênio verde. Em 2023, a TotalEnergies comprou 34% da companhia, tornando-se parceira direta também nessa iniciativa.
A empresa acumula 6 GW em operação ou construção em eólicas e solares e tem um portfólio de 33 GW em desenvolvimento. O hidrogênio é visto pela companhia como uma evolução natural dessa base renovável.
Para o executivo, o Brasil reúne fatores únicos para competir no mercado internacional, mas o avanço do projeto dependerá da velocidade de fechamento dos contratos com refinarias e da regulação europeia. “Precisamos casar escala de produção com mercados compradores. Esse é o passo decisivo”, concluiu.
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