O sócio da Watt Capital, Eduardo Tobias, defendeu durante palestra na ees South America, em São Paulo, dia 26, que o mercado de hidrogênio verde no Brasil será mais viável se voltado prioritariamente ao consumo interno, em especial para a produção de fertilizantes. Para ele, a estratégia contrasta com o foco atual em exportação e responde a uma demanda imediata e de grande escala no agronegócio.

Segundo Tobias, o País depende fortemente da importação de fertilizantes, cujo custo aumenta de forma expressiva conforme a interiorização no território nacional. A produção local de amônia e ureia a partir do hidrogênio verde, colocalizada com a demanda, poderia ser competitiva frente ao hidrogênio cinza, mesmo sem subsídios diretos.

O executivo destacou que a Petrobras, maior consumidora de hidrogênio cinza no País, é um nicho relevante, mas que o setor agrícola oferece uma oportunidade ainda maior. O modelo de negócio voltado ao produtor rural exigirá maior conhecimento local, uma vez que este busca essencialmente o menor preço, contrata em prazos curtos e tem demandas sazonais ligadas ao calendário de safra.

Tobias comparou o potencial da rota doméstica com a lógica da geração distribuída solar, ao permitir a interiorização da produção e a popularização do uso. Essa dinâmica, segundo ele, gera barreiras de entrada mais altas, que favorecem empresas brasileiras com maior capacidade de verticalização e relacionamento direto com o consumidor.

Um dos argumentos centrais é logístico: transportar hidrogênio ou derivados a longas distâncias encarece o produto, anulando a vantagem de custos da produção. Para o palestrante, o valor real está no ponto de consumo, seja para o fertilizante ou para outros derivados químicos, reforçando a necessidade de projetos híbridos conectados à rede e próximos ao mercado final.

Ele citou nove projetos em desenvolvimento — oito no Brasil e um no Paraguai — que exploram diferentes modelos de negócio, combinando fontes solares, eólicas e hídricas. Em especial, ressaltou iniciativas voltadas à produção de fertilizantes nitrogenados, que podem se beneficiar da energia solar fotovoltaica colocalizada ou associada à rede.

O desafio, contudo, está no financiamento. Tobias lembrou que contratos curtos e fluxos dolarizados geram resistência dos bancos nacionais, obrigando os desenvolvedores a apresentar garantias corporativas robustas ou estruturar project finance bem amarrados. Nesse cenário, abre-se espaço para empresas nacionais de engenharia, EPCistas e fornecedores de equipamentos em projetos de médio porte.

Outro ponto é a progressiva exigência de nacionalização de eletrolisadores, o que cria uma oportunidade para a indústria local de insumos e componentes. Esse ambiente, na avaliação do sócio da Watt Capital, demandará maior sofisticação e valor agregado do que o observado na expansão recente da fotovoltaica, marcada pela comoditização dos projetos.

Para Tobias, apostar apenas na exportação de hidrogênio é limitar o potencial brasileiro. O mercado doméstico, sobretudo na agricultura, pode ser o motor inicial de escala, estimulando inovação em modelos de negócio, geração de empregos e a participação de empresas nacionais em diferentes elos da cadeia.



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