por Flávio Silva*

 

Depois de a Braskem anunciar uma parceria com a Valoren para construção da sua primeira unidade de reciclagem avançada, a Dow, outra grande empresa do setor, também anunciou projeto semelhante. Em associação com a Mura Technology, a empresa construirá unidades nos Estados Unidos e na Europa. Mas o que é a reciclagem avançada? Entenda um pouco sobre essa nova tecnologia e como está a evolução dela no mundo.

 

De forma bem simplificada, a reciclagem avançada consiste no tratamento químico para o resíduo plástico. Por meio de alguns tipos de processo, consegue-se fazer com que o resíduo retorne ao polímero original, ou ao monômero que lhe deu origem; ou ainda, retorne ao início da cadeia, como matéria-prima para o craqueamento.

 

A reciclagem avançada resolve alguns dos problemas para os quais a reciclagem mecânica não tem respostas, tais como a contaminação de material ou, ainda, a mistura de vários plásticos.

 

Existem atualmente cinco principais processos utilizados na reciclagem avançada: pirólise, gaseificação, solvólise, enzimólise e dissolução. Veja um esquema simplificado de como podem ser aplicados estes processos:


 

Fonte: Ohxide

A pirólise é um processo que converte parte do material em diferentes frações, tais como gás, naftas, Diesel, etc. O material é exposto ao calor na ausência de oxigênio (para evitar a oxidação). Parte dele sai como monômero e é novamente polimerizada, enquanto a outra parte é usada na produção de combustíveis (ou pode até mesmo ser novamente utilizada no craqueamento para gerar novos monômeros). Hoje existem cerca de 60 fornecedores dessa tecnologia, na sua maioria start ups, mas empresas grandes também estão no negócio, tais como Ineos, ChevronPhillips e Repsol.

 

A gaseificação é mais um processo térmico que é capaz de converter plásticos e biomassa em Syngas (gás de síntese) e CO2. A Eastman é a única grande empresa a desenvolver esta tecnologia. Todas as demais são empresas pequenas (start ups).

 

Já a dissolução consiste na utilização de um solvente que dissolve os polímeros (resíduos plásticos), separando-os de outros resíduos. Aditivos, pigmentos e polímeros não “desejados” não são dissolvidos e assim, são removidos da solução. Posteriormente, um coagulante é adicionado para precipitar o polímero alvo. Após o processo, o polímero é obtido diretamente, sem necessidade de reação química. Atualmente, existem cerca de oito variações de tecnologias deste tipo.

 

A solvólise é similar à dissolução; porém, com decomposição do polímero em seus monômeros, sendo mais comumente utilizada na reciclagem avançada do PET. Após a “despolimerização”, outros componentes, tais como aditivos, cargas, etc, precisam ser removidos do processo. Existem cerca de 20 fornecedores desta tecnologia, a maioria ainda start ups e algumas conhecidas, como Eastman, DuPont e Dow.

 

A enzimólise, ainda em escala totalmente laboratorial, é uma tecnologia baseada em processos bioquímicos que utiliza diferentes tipos de biocatalisadores para “despolimerizar” o material, gerando novos monômeros.

Resumidamente, o que se tem disponível hoje é:

 


 

Fonte: Bioplastics Magazine e McKinsey, com elaboração própria da Ohxide


São estimados para próximos anos grandes volumes de investimentos (mais de US$ 40 bilhões até 2030) neste tipo de reciclagem e um aumento muito grande da proporção de plásticos oriundos de processos de reciclagem avançada mundialmente, passando dos atuais quase zero por cento para cerca de 8% a 10% até 2035.


 

*Flávio Silva é sócio-diretor da OHXIDE Consultoria (Rio de Janeiro, RJ e Paulínia, SP)


 

Leia também:


 

O avanço das grandes empresas petroquímicas no setor de reciclagem de plásticos


 

Perspectivas da oferta de nafta petroquímica nas refinarias



 

#reciclagemavançada



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