Por Marcio Grazino*

 

O mercado brasileiro de plásticos vive um momento crítico, com reajustes expressivos nos preços das resinas, especialmente o polietileno de baixa densidade (PEBD), que subiu cerca de 100% em pouco mais de 30 dias, passando de aproximadamente R$ 9,80/kg para R$ 23/kg em distribuidoras.

 

Essa escalada, impulsionada por políticas comerciais da Braskem – única produtora nacional de resinas –, ocorre sem comunicados oficiais ou transparência, com ajustes informais a cada dez dias impostos aos clientes, gerando caos na cadeia de suprimentos.

 

Contexto e fatos principais

 

Reajustes sem precedentes: apesar de alegações ligadas à guerra no Oriente Médio e a interrupções no Estreito de Ormuz (que afeta apenas 20% do petróleo global), os aumentos são desproporcionais. Matérias recentes, como reportagens do O Globo (março/2026) e PlásticoNews (13/03/2026), confirmam saltos de até 60% em uma noite para PEBD e similares, com a Braskem e Dow liderando os anúncios. No entanto, a ausência de documentos oficiais agrava a desconfiança no mercado.

 

Situação financeira da Braskem: rumores de recuperação judicial circulam há semanas, negados pela empresa, mas corroborados por fontes como Bloomberg (01/04/2026), Valor Econômico (03/04/2026) e InvestNews (30/03/2026). A petroquímica avalia proteção contra credores devido a prejuízos bilionários e dívidas elevadas, com ações (BRKM5) voláteis na B3. Sua subsidiária mexicana, Braskem Idesa, estrutura RJ nos EUA.

 

Proteção via Lei Antidumping: o governo mantém tarifas de até 20% sobre importações de PE (decisão de março/2026, per O Globo), beneficiando a Braskem em detrimento de transformadores. Isso opõe a petroquímica a indústrias de embalagens, alimentos e automotiva, com risco de desabastecimento e alta nos preços ao consumidor – pior que na pandemia.

 

Silêncio: a cobertura jornalística é tímida, focada em disputas tarifárias, ignorando o colapso iminente. Comparativamente, aumentos de 7-11% no Diesel geram debates nacionais, enquanto o plástico – essencial para embalagens de arroz, feijão, macarrão e autopeças – sobe 100% sem alarde.

 

Impactos econômicos e setoriais: esses reajustes pressionam insumos industriais, elevando custos em embalagens (alimentos/bebidas), automotivo (componentes plásticos) e consumo geral. Setores alertam para inflação em cadeia, desabastecimento e desemprego, em ano de Copa e eleições.

 

Transformadores relatam que fornecedores estão dobrando preços, comprovados por notas fiscais. É uma insegurança sem precedentes. Preços dobram sem justificativa oficial, protegidos por tarifas, enquanto o foco da fiscalização é o Diesel. O setor de plásticos clama por transparência e intervenção para assegurar o abastecimento do mercado.

 

*Marcio Grazino é Diretor da Maximu’s Embalagens Especiais.

 

Imagem: Divulgação.



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