Foi inaugurada oficialmente nesta terça-feira em Assu, no Rio Grande do Norte, a usina solar Mendubim, com 531 MW de capacidade, uma das seis maiores fotovoltaicas do Brasil. A solenidade contou com a presença de lideranças das quatro empresas sócias do empreendimento, todas de capital de origem norueguesa ― Scatec, Equinor, Hydro Hein e Alunorte ―, e de representantes dos governos federal, estadual e municipal, além do governo da Noruega.

A composição acionária do projeto contava, inicialmente, com os sócios Scatec, Hydro e Equinor, os quais teriam partes iguais no empreendimento. Mas no início do mês passado a Alunorte adquiriu 10% do empreendimento e assumiu o compromisso de comprar 60% da energia produzida. A empresa firmou termo de compra de energia (PPA) por vinte anos. A composição se divide agora em 30% para cada um dos sócios iniciais (Scatec, Equinor e Hydro Rein) e 10% para a Alunorte.

Com investimento de cerca de R$ 2,1 bilhões, o projeto abrange área de 1,2 mil hectares, equivalente a 1,2 mil campos de futebol, com perímetro de 38 quilômetros. É composto por 13 usinas em uma área operacional de 900 hectares e mais 300 hectares de área de preservação ambiental. As primeiras operações comerciais começaram em fevereiro deste ano, pelas usinas Mendubim 11 e 9 e, sequencialmente, as demais foram sendo acionadas, até a última data de início da operação comercial, em março de 2024.

A construção total compreende 974 mil módulos solares instalados em trackers, 2.560 inversores, transformadores elevadores de tensão e 83 eletrocentros distribuídos em 31 circuitos de média tensão. Estes foram conectados a uma subestação elevatória, composta por dois transformadores de potência de 280 MVA cada, onde a tensão de operação é elevada para 230 kV, para fins de transmissão. O local está a 6 quilômetros da subestação Assu 3, que se conecta ao Sistema Interligado Nacional, e a área, considerada excelente para a geração de energia solar, tem inclinação máxima de 5%.

A construção teve início em julho de 2022 e, no auge da obra, havia mais de 1,6 mil trabalhadores em campo simultaneamente. Para a construção, Mendubim selecionou e capacitou 240 mulheres sem formação profissional para atuarem na área de renováveis, sendo 120 treinadas para montagem dos painéis solares e 120 para atuação em qualificações diversas.

O empreendimento também adotou várias medidas para minimizar o impacto do projeto ao meio ambiente, como a decisão de não remover a camada superficial do solo (tradicionalmente, em projetos similares, são retirados 15 centímetros de cobertura do solo), de modo a diminuir o impacto ambiental e preservar a microbiologia do solo. Da área construída, foram resgatados mais de 6,2 mil animais da fauna originária local, direcionados para reservas legais na mesma bacia hidrográfica onde se situa Mendubim. A grande maioria (95%) desses animais era composta por cobras, lagartos e tatus. Também foram plantadas 340 mil mudas diversas, compostas por espécies nativas do bioma Caatinga, para garantir maior biodiversidade, proteção do solo, conservação da água e a redução da erosão na região.



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