O Brasil superou os 5 GW de capacidade instalada em geração solar centralizada, de usinas de grande porte conectadas ao SIN - Sistema Interligado Nacional, no fim de maio, segundo dados da Aneel. Com isso, as UFVs já representam 2,2% da matriz elétrica nacional, sendo que em 2017 a participação era nula. E a perspectiva é de crescimento acelerado, já que há 4,7 GW de usinas em construção, para entrarem em operação até 2023, e mais 51 GW de projetos outorgados pela agência, sendo o maior dos novos projetos para atender ao mercado livre (ACL). Segundo recente estudo da consultoria Greener, apenas 1,2 GW das outorgas do último ano se voltam para o mercado regulado (ACR), de um total de 25,8 GW.

A tendência de voltar o planejamento do setor mais para o ACL foi ratificada pelo resultado da fonte no último leilão do ACR, o A-4, de 27 de maio, que na análise da Absolar - Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica ficou aquém das expectativas. Para a entidade, a contratação foi muito baixa, com apenas cinco projetos em Pernambuco, com 166 MW de potência total, que devem atrair investimentos de R$ 687,3 milhões.

Na avaliação do presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, o resultado foi ainda mais desapontador ao se saber que a contratação da fonte teve forte deságio, de 20,78% em relação ao preço inicial de R$ 225,00/MWh, atingindo um preço médio de venda de R$ 178,24/MWh. “O governo federal comprou mais eletricidade de fontes mais caras, uma decisão onerosa e que será paga pelos consumidores brasileiros. Estamos decepcionados com este resultado”, disse.

De acordo com cálculos da entidade, se tivesse contratado o mesmo montante de biomassa ao preço das usinas solares, a economia teria sido de R$ 1,47 bilhão. E, no caso da comparação entre o preço da fonte com o valor contratado das Pequenas Centrais Hidrelétrica (PCHs), a economia no bolso dos consumidores seria de R$ 1,52 bilhão.

“Vale lembrar que as usinas solares de grande porte geram eletricidade a preços até dez vezes menores do que as termelétricas fósseis e, graças à versatilidade e agilidade da tecnologia fotovoltaica, são menos de 18 meses desde o leilão até o início da geração de energia elétrica. Assim, a solar é reconhecidamente campeã na rapidez de novas usinas de geração”, acrescenta Sauaia.

O descontamento do setor com o mercado regulado, ainda na avaliação da Absolar, se dá também com a exclusão da fonte solar no leilão de energia nova A-6, marcado para acontecer em 16 de setembro deste ano. Para o vice-presidente do conselho de administração da associação, Márcio Trannin, é preciso que as autoridades garantam isonomia entre as fontes de energia no certame e incluam as UFVs, por se tratar de fonte renovável e com preços competitivos, que poderá ajudar a reduzir a conta de luz dos consumidores brasileiros. “Não há justificativa técnica e nem econômica para deixar a solar de fora do A-6. A quem isso interessa?”, questiona.



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