A Rede Conexão Povos da Floresta, criada para levar internet banda larga a comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas em áreas protegidas, está implementando o programa Agentes Comunitários de Energia. A atuação é viabilizada com apoio de organizações financiadoras nacionais, como o Fundo Vale, e internacionais. O programa foi desenhado para qualificar indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos para operar e manter sistemas de energia solar off-grid destinados a prover a estabilidade da conexão da internet. Sistemas fotovoltaicos alimentam os kits de conectividade da Rede Conexão, presentes em 2.689 comunidades nos 9 estados da Amazônia Legal, alcançando diretamente 68.538 usuários cadastrados e beneficiando mais de 205 mil pessoas.
Em 2025, a iniciativa ajudou a consolidar um mosaico de infraestrutura e formação que hoje sustenta a conectividade em áreas sem luz 24 horas: são cerca de 350 kits de energia solar ativos e 32 moradores já formados na turma piloto do curso de formação em Agentes Comunitários de Energia.
De acordo com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), cerca de 1 milhão de pessoas na Amazônia Legal ainda vivem sem acesso adequado à eletricidade, em áreas onde a energia é inexistente ou depende de geradores a diesel ― solução cara, poluente e incapaz de sustentar serviços contínuos.
“O curso Agentes Comunitários de Energia vem sendo desenvolvido, planejado com muito carinho pelas organizações-membro da Rede Conexão Povos da Floresta e atuam especificamente na frente de Energia. A primeira fase, que é a formação técnica com módulos online e presencial, foi concretizada com sucesso em uma turma piloto na região do Tapajós em 2025. Agora em 2026, avançamos para levar a formação para outros territórios da Amazônia”, afirma Sabrina Costa, coordenadora do Núcleo de Operações da Rede Conexão Povos da Floresta.
A experiência acumulada pelo programa também vem influenciando o debate sobre a presença institucional do Estado em regiões isoladas da Amazônia. “Através da experiência do curso Agentes Comunitários de Energia, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) entendeu que precisa estar mais presente. A agência vai poder contar com os agentes comunitários de energia para serem atores importantes para colaborar na implementação, na fiscalização do serviço energético”, avalia Alessandra Mathyas, analista de conservação do WWF-Brasil.
A segunda turma do curso de Agentes Comunitários de Energia teve início em 16 de junho de 2026 e reúne 48 participantes, representantes de comunidades tradicionais do estado do Amapá. A formação, reconhecida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) como curso de Qualificação Profissional, possui carga horária e titulação alinhadas à Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e foi estruturada em parceria entre o Senai, a Aneel e a Rede Conexão Povos da Floresta.
A atuação da iniciativa vai além da formação. O grupo se articula para alinhar as soluções da Rede Conexão às políticas públicas de universalização do acesso à energia, como o Programa Luz para Todos, além de apoiar a priorização de comunidades atendidas por distribuidoras como a Energisa. A estratégia é garantir que os sistemas solares instalados sejam reconhecidos dentro do marco regulatório, evitando sobreposições, otimizando recursos públicos e contribuindo, com evidências de campo, para o aprimoramento das políticas de eletrificação em áreas isoladas.
Mais Notícias FOTOVOLT
Mais de 6 mil projetos somam quase 297 GW de potência, volume sem precedentes em leilões do setor
07/08/2026
Fraunhofer ISE e Source Energy obtêm módulos eficientes e muito mais baratos do que os feitos com materiais III-V
07/08/2026
Reconhecidas em edital do Unicef em parceria com a Neoenergia, instituições terão economia de até 90% nas fatura de energia
07/08/2026