O volume de financiamento para projetos de geração renovável no Brasil somou R$ 36,3 bilhões em 2025, resultado ainda 22% abaixo do pico histórico de R$ 46,3 bilhões registrado em 2022, segundo levantamento da Cela - Clean Energy Latin America, especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para o setor de transição energética. O dado revela que, apesar da alta de 10,6% sobre 2024, que também ficou abaixo do patamar de 2022, o setor de renováveis ainda não recuperou o patamar anterior à combinação de juros altos, modulação e curtailment que vem pesando sobre novos investimentos desde 2023, diz a empresa em comunicado à imprensa.
O estudo considera os desembolsos realizados pelas principais instituições financeiras que atuam no financiamento da geração renovável no Brasil, incluindo bancos públicos, privados, cooperativas de crédito, fintechs e operações estruturadas via mercado de capitais. Segundo a Cela, a queda em relação ao pico de 2022 não é uniforme: reflete dinâmicas distintas em cada tecnologia, com a geração distribuída solar mostrando maior resiliência, a geração centralizada solar sob pressão crescente, a eólica em recuperação após mínimo histórico em 2024, e o armazenamento em fase de estruturação regulatória.
A geração distribuída solar manteve-se na faixa de R$ 13 a 14,7 bilhões entre 2023 e 2025, patamar inferior ao pico de R$ 21,8 bilhões de 2022 (ano da corrida pelo “direito adquirido” da Lei 14.300), mas consistentemente superior à geração centralizada solar em todos os anos recentes. Uma explicação para isso é que a simultaneidade entre geração e consumo mantém o payback da GD atrativo para o consumidor. Outra razão é a carteira remanescente de projetos remotos com direito adquirido: usinas de geração compartilhada e autoconsumo remoto protocoladas antes de janeiro de 2023 que continuaram sendo financiadas nos anos seguintes.
Já a geração centralizada solar recuou de R$ 15,1 bilhões em 2022 para R$ 9,0 bilhões em 2025. A empresa aponta como motivos o aumento do custo do capital, “com a Selic oscilando entre 13,75% e 14,25% nos últimos anos, o maior patamar desde 2016”, e o excesso de oferta de energia da fonte no período diurno, que pressiona os preços e desestimula investimentos. “Trata-se de um desafio técnico-operacional que outras tecnologias e formas de operação do sistema, como a eólica e o armazenamento, estão sendo chamadas a resolver”, diz o comunicado da Cela. Além disso, o curtailment atingiu em média 17,1% das usinas entre abril de 2024 e março de 2025. “A ausência de mecanismo de ressarcimento pelos cortes forçados é hoje uma das principais travas regulatórias para novos investimentos”.
A energia eólica registrou R$ 12,5 bilhões em financiamentos em 2025, alta de 40% sobre 2024, recuperação após o mínimo da série histórica, quando o segmento também foi afetado por juros altos e curtailment. Atualmente os motores do segmento são o mercado livre de energia e a autoprodução, que ampliaram significativamente a base de projetos viáveis fora do ambiente regulado.
Os R$ 126 milhões registrados em financiamentos BESS em 2025 marcam crescimento frente o ano de 2024 mas estão ainda distantes do pico de R$ 280 milhões registrado em 2023, quando emissões de debêntures e FIPs relevantes impulsionaram o segmento. O estudo aponta que os custos dos sistemas de armazenamento recuaram 90% desde 2010, com alguns modelos caindo pela metade só em 2024, reduzindo o valor financiado por unidade instalada mesmo com crescimento físico do mercado. A expectativa da Cela é que os primeiros leilões dedicados exclusivamente ao armazenamento, previstos para 2026, marquem uma nova fase de escala para o segmento, com impacto direto nos volumes de financiamento dos próximos estudos.
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