O congresso e feira Intersolar Brasil Nordeste 2026 realizou sua sexta edição em 28 e 29 de abril no Centro de Eventos do Ceará, tendo registrado ao longo dos dois dias mais de 5 mil participantes e discussões sobre os principais desafios e oportunidades da transição energética no Brasil. No primeiro dia, o congresso organizou-se em três grandes eixos: o panorama da geração solar fotovoltaica no Brasil, o avanço do mercado de armazenamento de energia e o papel estratégico do hidrogênio verde. A relevância da região foi destacada por Florian Wessendorf, diretor da alemã Solar Promotion International, empresa organizadora do evento em parceria com a Aranda Eventos. “Esta região não é apenas rica em recursos naturais: é rica em oportunidades. Ela já representa mais da metade da capacidade solar instalada no Brasil e continua atraindo grandes investimentos em energia solar e eólica e, cada vez mais, em hidrogênio verde. Seja no Ceará, na Bahia ou em Pernambuco, esta região está escrevendo o próximo capítulo do sistema energético global”, afirmou Wessendorf.
No painel “Panorama da Geração Solar Fotovoltaica no Brasil”, Rodrigo Sauaia e Bárbara Rubim, dirigentes da Absolar – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, apresentaram um retrato abrangente do avanço da energia solar no País, com ênfase no protagonismo do Nordeste. A região já soma 20,2 GW de capacidade instalada de energia fotovoltaica, entre geração centralizada e distribuída, com mais de R$ 89 bilhões em investimentos, sendo que o Ceará se destaca como o segundo estado com maior capacidade instalada da região.
O painel sobre armazenamento de energia ressaltou a tecnologia como elemento-chave para a próxima fase do setor, seja com baterias associadas à geração solar, o que deve permitir maior flexibilidade ao sistema elétrico, seja conectadas diretamente às redes, para uma maior capacidade de controle e gestão da energia. O armazenamento foi apontado como solução para o curtailment de solares e eólicas, quando energia limpa deixa de ser aproveitada por gargalos na transmissão. Para Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, o avanço do armazenamento será central nesse processo, exigindo esforços coordenados em frentes como regulação, tributação, financiamento e desenvolvimento de mercado.
O evento abordou o papel do hidrogênio verde como vetor para viabilizar uma matriz renovável contínua, especialmente diante da crescente demanda energética associada à expansão dos data centers, impulsionada por tecnologias como inteligência artificial e serviços digitais. A integração entre solar, armazenamento e hidrogênio despontou como caminho para garantir energia limpa, confiável e disponível em tempo integral.
A segurança no trabalho com eletricidade também teve destaque na programação. O diretor da Mi Omega, João Cunha (que também é membro do conselho editorial de FotoVolt), realizou a palestra “Sistema Profissional de Adequação NR-10: Baseado em Metodologia Internacional de Conformidade”, abordando a implementação de um sistema completo de adequação à norma regulamentadora do Ministério do Trabalho e do Emprego, desde o diagnóstico até a conformidade pronta para auditoria.
O segundo dia teve como principal destaque o painel sobre data centers na Região Nordeste, além de debates acerca de tecnologia e mercado em ambiente de transformações e segurança elétrica. Especialistas apontaram que a combinação entre energia renovável e conectividade internacional posiciona o Nordeste como nova fronteira para investimentos digitais. O secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fabio Feijó, destacou a transformação da energia em valor econômico. “Quando o Ceará investe em data center, estamos transformando energia do sol e do vento em alto valor agregado”. Com 16 cabos submarinos, além de um novo em implantação, baixa latência e elevado potencial energético, o Ceará reúne condições para liderar esse movimento.
A interdependência entre energia e tecnologia foi reforçada por Jurandir Picanço, consultor de energia da FIEC. Ele destacou que o armazenamento de energia viabiliza a expansão das renováveis, enquanto os data centers se consolidam como grandes consumidores dessas energias renováveis, formando-se, assim, um ciclo integrado de desenvolvimento. “A energia solar, foco do congresso, é a fonte de energia que mais cresce no mundo todo”, destacou Picanço.
Segundo os organizadores do Intersolar Nordeste, a feira de negócios reuniu mais de 60 empresas em 7.500 m², com forte geração de conexões e capacitação técnica. Em comunicado, foi citado Guilherme Deziatto, coordenador de Suporte Técnico da Livoltek, do grupo Hexing, para quem o evento é especialmente relevante para fabricantes, sendo uma oportunidade estratégica de ouvir diretamente os clientes. Já Aline Rosa, gerente comercial da Engeselt Energia Solar, declarou que “além de fazer um networking muito positivo, você troca ideias com os colegas, conhece novas distribuidoras, pessoas que têm mais conhecimento e podem passar informações para que a gente evolua no nosso atendimento junto a nossa empresa". Esta foi a terceira vez que a Engeselt participou do evento.
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