O Brasil se consolidou como um dos principais polos globais de empregos em energias renováveis, com 1,38 milhão de trabalhadores em 2024, segundo a edição 2025 do relatório Renewable Energy and Jobs, elaborado pela Irena - Agência Internacional de Energia Renovável em parceria com a OIT - Organização Internacional do Trabalho, lançada no dia 11 de janeiro deste ano.
Segundo os dados, o país ocupa a terceira posição global, ficando atrás apenas de China (aproximadamente 7,3 milhões de postos) e Índia (cerca de 2,47 milhões). Com isso, o Brasil fica à frente dos Estados Unidos, com algo em torno de 1,14 milhão de empregos. Quando considerada como bloco, a União Europeia soma cerca de 1,8 milhão de postos, mas não é tratada como país individual no ranking
No cenário global, o emprego em energias renováveis alcançou 16,6 milhões de postos em 2024, crescimento de 2,3% em relação a 2023, mesmo com a instalação recorde de novas capacidades. O avanço mais moderado reflete ganhos de produtividade, automação crescente e a elevada concentração industrial, especialmente na Ásia.
A energia solar fotovoltaica manteve a liderança como principal fonte de empregos da transição energética, com 7,2 milhões de trabalhadores em todo o mundo. O volume representa cerca de 43% de todos os empregos em renováveis, consolidando a solar como o eixo central da cadeia global de trabalho no setor.
Embora o relatório não detalhe os empregos solares por país, o Brasil aparece como um mercado em rápida expansão. O estudo aponta o país entre os maiores importadores globais de módulos fotovoltaicos chineses, movimento associado à forte disseminação da geração distribuída e à ampliação de projetos de grande porte, o que impulsiona vagas sobretudo em instalação, operação e manutenção.
A estrutura brasileira de empregos em renováveis segue fortemente ancorada nos biocombustíveis, segmento no qual o país lidera mundialmente, apoiado pela cadeia do etanol e do biodiesel. A hidreletricidade também permanece relevante, especialmente em atividades de operação e manutenção de ativos maduros.
No comparativo internacional, a China manteve ampla liderança, com cerca de 7,3 milhões de empregos, o equivalente a 44% do total global, sustentada por cadeias produtivas integradas e produção em larga escala. A União Europeia registrou aproximadamente 1,8 milhão de postos, enquanto Índia e Estados Unidos somaram cerca de 1,3 milhão e 1,1 milhão, respectivamente.
Por tecnologia, além da solar, os biocombustíveis líquidos responderam por 2,6 milhões de empregos globais, seguidos pela hidrelétrica (2,3 milhões) e pela energia eólica (1,9 milhão). O levantamento destaca que o avanço tecnológico tende a reduzir a intensidade de mão de obra por megawatt instalado, reforçando a importância de políticas de qualificação profissional.
O relatório também chama atenção para a necessidade de maior atuação pública na formação de cadeias produtivas domésticas e no desenvolvimento de uma força de trabalho mais inclusiva. Para países como o Brasil, a combinação entre expansão da energia solar, fortalecimento industrial e políticas de capacitação é vista como decisiva para transformar o crescimento do setor em ganhos econômicos e sociais duradouros.
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