Os sistemas isolados de energia elétrica no Brasil registraram, em 2025, o menor nível de emissões de gases de efeito estufa da série histórica. O resultado consta do Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados – Ciclo 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao MME, e reflete mudanças estruturais no perfil de suprimento dessas localidades.

De acordo com o estudo, as emissões totais dos sistemas isolados caíram para 2,50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025, ante 2,76 milhões em 2024 e 3,28 milhões em 2018. O fator médio de emissão permaneceu elevado em relação ao Sistema Interligado Nacional (SIN), em 0,67 tCO₂/MWh, mas manteve trajetória de redução ao longo do período analisado.

Um dos principais vetores desse desempenho foi a interligação de 15 localidades isoladas ao SIN em 2025, incluindo Boa Vista (RR), até então a última capital brasileira a operar fora do sistema nacional. Com essas conexões, o número de sistemas isolados caiu de 175 em 2024 para 160 em 2025, atendendo cerca de 1,97 milhão de pessoas.

O relatório aponta ainda mudança relevante no perfil tecnológico. A capacidade instalada de geração solar fotovoltaica e de armazenamento em baterias dobrou em 2025 em relação a 2024. Até 2029, a EPE projeta que a capacidade fotovoltaica nos sistemas isolados seja cerca de 30 vezes maior, enquanto o armazenamento em baterias pode crescer aproximadamente 300 vezes, ampliando a confiabilidade do suprimento e reduzindo o uso de combustíveis fósseis.

Apesar ainda da predominância do diesel, a geração a partir desse combustível caiu 8% em termos absolutos em 2025, passando de 2.866 GWh em 2024 para 2.633 GWh. A redução equivale ao volume anual necessário para atender grandes localidades como Tefé e Humaitá, no Amazonas, segundo a EPE.

No campo econômico, a EPE destaca a expectativa de redução estrutural dos custos de geração. A Aneel colocou em consulta pública o orçamento da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para 2026, que projeta queda de 8,8% nos custos de geração dos sistemas isolados, impulsionada pela menor dependência de usinas a óleo diesel e pelas interligações ao SIN.

O planejamento também indica que, em 2026, a carga dos sistemas isolados representará apenas 0,32% da carga do SIN, uma redução de 55% em comparação ao ciclo anterior, efeito direto das interligações realizadas e previstas. Até 2030, estão programadas mais 16 conexões de sistemas isolados ao sistema nacional.



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