A retomada gradual da atividade econômica começa a se refletir nos indicadores de consumo de energia do País. De acordo com a CCEE  - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, nas duas primeiras semanas de julho, em comparação com mesmo período do ano passado, a retração do consumo foi de “apenas” 2,1% no Sistema Interligado Nacional (SIN), contra os 12,1% de queda registrados no pior momento depois da pandemia, em abril.

A recuperação foi puxada principalmente pelo consumo no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Na construção da média geral, o consumo no mercado livre demonstrou alta de 1,2% na primeira quinzena do mês, contra retração de 3,6% no ambiente regulado (ACR). A alta no ACL reverte quedas registradas nesse ambiente até o início de julho. Para se ter uma ideia do bom indicador, no mês de abril a queda de consumo do mercado livre havia sido maior do que a do regulado, de 13,6% contra 11,5%.

No cenário geral, porém, ao comparar o período do isolamento, de 21 de março a 10 de julho, com a média dos 20 dias anteriores, de 1o a 20 de março, o estudo da CCEE apontou quedas de 13,8% no consumo no ACR e de 14,5% no ACL, sendo que se a comparação dos dias de isolamento for com o mesmo período de 2019, as quedas são menores: -8,1% no ACR e -7,4% no ACL.

Por ramo de atividade, a CCEE identifica desaceleração de queda através das semanas, com alguns setores se recuperando e outros que continuaram com baixa significativa no consumo em julho, em comparação com mesmo mês do ano passado. Sem considerar efeitos de migrações para o mercado livre, houve alta no consumo no setor de bebidas (6%), de saneamento (4%), alimentos (2%) e químicos (1%). Enquanto isso, o setor de serviços teve queda de 24%, a indústria automotiva de 17%, o setor têxtil de 14% e o de transportes também de 14%.

Os dados, que demostram a retomada do consumo, acompanham as conclusões de outro estudo, divulgado dia 28 de julho, da mesma CCEE, em conjunto com o ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico e a EPE - Empresa de Pesquisa Energética. Pela 2ª Revisão Quadrimestral da Carga de Energia para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024, a queda em 2020 será de 3% na carga de energia, considerando uma queda no PIB de 5%. Já para o período 2020-2024, estima-se um crescimento da carga de 3,9%.

A revisão demonstra concentração dos impactos da pandemia no primeiro semestre de 2020, com retomada na margem ao longo do segundo semestre. Em 2021, o crescimento da carga esperado pelos três agentes é de 4,3% e, no nos anos seguintes, de 3,9% em 2022; de 3,7% em 2023; e de 3,6% em 2024.



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