Com base na análise de 100 dias de dados, o relatório “Global Energy Review 2020”, publicado no final de abril, projeta que o uso global de energia cairá 6% este ano, com impacto mais de sete vezes superior ao da crise financeira de 2008 e equivalente ao desaparecimento de toda a demanda da Índia, o terceiro maior consumidor de energia do mundo. Só o petróleo deve ter queda de 9%, voltando aos níveis de 2012, e o carvão será atingido quase no mesmo nível. O gás sofrerá com a redução da atividade industrial e a energia nuclear acompanhará a queda geral da demanda de eletricidade.

A demanda global de energia no primeiro trimestre caiu 3,8% em relação ao ano passado. A China, com oito semanas de bloqueio das atividades no início do ano, registrou a maior redução, de 7%. Nos Estados Unidos, a queda foi de 6%, mas a Agência Internacional de Energia diz que isso se deve em parte a um inverno mais ameno este ano. O uso de energia na Europa caiu em níveis semelhantes, mas na Itália, que durante algumas semanas foi o epicentro do surto europeu, a demanda de eletricidade diminuiu mais de um quarto. Desde que o bloqueio nacional total foi imposto na Índia, a demanda no país declinou quase 30%.

A demanda global de carvão caiu 8% no primeiro trimestre, por causa do recuo do consumo industrial do energético, sobretudo na China, mas principalmente devido à queda do consumo de eletricidade. Os bloqueios derrubaram a demanda de energia elétrica nos dias úteis a níveis semelhantes ao dos domingos do período pré-crise, com quedas de 20% ou mais onde houve bloqueios completos. A demanda de eletricidade deverá diminuir 5% em 2020, a maior queda desde a Grande Depressão na década de 1930.

Ao mesmo tempo, ocorre uma grande mudança em direção a fontes de eletricidade de baixo carbono, incluindo eólica, solar fotovoltaica e hidrelétrica. Depois de superar o carvão pela primeira vez em 2019, as fontes de baixo carbono devem ampliar sua liderança este ano para 40% da geração global de eletricidade — 6% à frente do carvão. A geração de eletricidade a partir de energia eólica e solar fotovoltaica continua a aumentar em 2020, impulsionada por novos projetos concluídos em 2019 e início de 2020. Em grande medida, o aumento da participação dessas fontes no mix de energia se deve ao fato de elas nãos serem despacháveis, afirma a AIE.

As restrições impostas às viagens contribuíram para a queda de 5% na demanda por petróleo no primeiro trimestre de 2020, resultado de menos carros nas estradas e de uma demanda bastante reduzida da indústria naval. Como as companhias aéreas imobilizaram suas frotas em todo o mundo e os países fecharam os aeroportos, exceto para voos de repatriação e de carga, os requisitos de combustível de aviação caíram mais de um quarto em março.

Com a queda na demanda por combustíveis fósseis e o aumento no uso de fontes renováveis, a agência prevê a maior queda jamais registrada nas emissões de CO2, dando ao meio ambiente um merecido descanso. É provável que as emissões anuais correspondam aos níveis de dez anos atrás, com a queda seis vezes maior do que o recorde anterior, após a crise financeira em 2009.

Acesse o relatório da AIE em https://www.iea.org/reports/global-energy-review-2020



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