O relatório publicado “Global Renewables Outlook”, publicado nesta segunda-feira (20) pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), afirma que uma transformação baseada em energia renovável é uma oportunidade para cumprir as metas climáticas internacionais e promover crescimento econômico, criando milhões de empregos e melhorando o bem-estar da humanidade até 2050.

O caminho para aprofundar a descarbonização requer investimentos em energia de até US$ 130 trilhões, mas os benefícios socioeconômicos compensam, revela o relatório. Os ganhos cumulativos para o PIB global seriam de até US$ 98 trilhões além do previsto nos próximos 30 anos. Também se elevariam os empregos em energia renovável para 42 milhões e em eficiência energética para 21 milhões, adicionando-se ainda outros 15 milhões na área de sistemas energéticos flexíveis.

Segundo o diretor-geral da Irena, Francesco La Camera, a atual crise expôs as vulnerabilidades embutidas no sistema atual. “O relatório mostra caminhos para construirmos economias sustentáveis, equitativas e resilientes, alinhando esforços de recuperação de curto prazo com os objetivos de médio e longo prazo do Acordo de Paris e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas”. Segundo ele, ao impulsionar as fontes renováveis e integrar a transição energética ao esforço de recuperação, os governos atingirão múltiplos objetivos econômicos e sociais na busca por um futuro que “não deixe ninguém para trás".

O Global Renewables Outlook examina todos os setores energéticos, as estratégias de investimento e as ações políticas necessárias para gerir a transição. Explora formas de reduzir as emissões globais de CO2 em pelo menos 70% até 2050, e uma perspectiva mais profunda de descarbonização que leve a zero emissões líquidas no sistema energético, compreendendo hidrogênio verde e a ampliação da eletrificação dos usos finais na substituição de combustíveis fósseis, mesmo na indústria pesada e em setores mais complexos em relação à redução de emissões.

Investimento em baixo carbono teriam retorno financeiro significativo, aponta o relatório, com ganhos até oito vezes mais altos do que os custos quando considerada as economias em saúde pública e na área ambiental. O relatório indica caminhos para a transição energética e socioeconômica em dez regiões do mundo até 2050. A expectativa é de que todas elas registrem percentuais crescentes de energia renovável, com o Sudeste Asiático, América Latina, União Europeia e África Subsaariana atingindo 70-80% de renováveis no mix energético em 30 anos. De maneira similar, a eletrificação dos usos finais, como transporte e aquecimento, também cresceria em todo o mundo, excedendo 50% no Leste Asiático, América do Norte e em boa parte da Europa. Todas as regiões registrariam ganhos significativos de bem-estar e aumento do número de empregos no setor energético, em termos líquidos (o setor de combustíveis fósseis deve reduzir vagas). No entanto, os ganhos em termos de economia e empregos seriam distribuídos de maneira desigual, com o crescimento do PIB regional mostrando variação considerável. Assim, cumprir os objetivos energéticos e climáticos e ao mesmo tempo cultivar o bem-estar socioeconômico exigirá coordenação mais forte entre os níveis internacional, regional e doméstico, direcionando apoio financeiro aos mais necessitados, em países e comunidades vulneráveis, diz o estudo.

O relatório Global Renewable Outlook está disponível no link http://www.irena.org/publications/2020/Apr/Global-Renewables-Outlook-2020



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