Os pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) devem ganhar espaço na matriz energética global nos próximos anos, segundo o relatório SMR Market Intelligence Report 2027, da Nuclear Intelligence Brief. O estudo aponta que o mercado poderá mais que dobrar até 2032, impulsionado pelo aumento da demanda de energia para data centers, inteligência artificial e setores industriais de difícil descarbonização.
De acordo com o relatório, empresas de tecnologia como Google, Amazon, Microsoft e Meta ampliaram investimentos em projetos nucleares para garantir suprimento elétrico de longo prazo, enquanto países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido avançam no licenciamento e na construção das primeiras unidades comerciais.
O documento destaca que os SMRs oferecem vantagens como fabricação modular, menor prazo de implantação (estimado entre três e cinco anos) e elevada densidade energética, características que favorecem aplicações tanto na geração de eletricidade quanto no fornecimento de calor para indústrias como siderurgia, mineração, química e fertilizantes.
Apesar das perspectivas positivas, o estudo aponta desafios para a expansão da tecnologia, entre eles o alto custo dos primeiros projetos comerciais, a necessidade de aperfeiçoamento dos modelos regulatórios e a limitada oferta de combustível nuclear avançado (Haleu - High-Assay Low-Enriched Uranium), considerado um dos principais gargalos para a implantação de reatores de nova geração.
Na avaliação da Abdan - Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares, o avanço dos SMRs representa uma oportunidade para países com reservas de urânio, capacidade industrial e experiência no setor nuclear. “O Brasil reúne condições únicas para participar dessa nova fase da energia nuclear. Temos reservas expressivas de urânio, capacidade industrial instalada, experiência operacional e um dos sistemas elétricos mais limpos do mundo. Os SMRs podem ampliar ainda mais esse potencial, principalmente em aplicações industriais e no atendimento de novas demandas energéticas”, destaca Celso Cunha, presidente da associação.
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