A pré-análise do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP 2026) indica uma margem inicial de escoamento da ordem de 6 GW para os anos de suprimento 2026/2027, segundo dados consolidados pela consultoria ePowerbay a partir de notas técnicas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O volume é considerado limitado frente ao total de projetos cadastrados para o certame.

De acordo com o levantamento, apenas três barramentos do Sistema Interligado Nacional apresentam margem de escoamento superior a 100 MW em algum nível de tensão. As maiores disponibilidades estão concentradas em barramentos de 500 kV, com destaque para a Subestação Pecém II, no Ceará, que reúne a maior margem identificada, próxima de 3,8 GW.

Para os anos posteriores, a margem de escoamento cresce gradualmente. A estimativa é de cerca de 30 GW para o biênio 2028/2029 e aproximadamente 40 GW para 2030/2031. Ainda assim, a partir de 2028, a margem disponível representa, em média, cerca de um terço do total de potência cadastrada, indicando um ambiente de elevada competição entre os empreendimentos.

O cadastramento do LRCAP 2026 soma 330 projetos, com potência total de aproximadamente 120,4 GW. As usinas termelétricas a gás natural concentram a maior parte desse volume, com 311 projetos e cerca de 112,9 GW. Projetos a carvão mineral respondem por cerca de 1,4 GW, enquanto ampliações de usinas hidrelétricas totalizam aproximadamente 6,1 GW.

Também foram registrados projetos a óleo combustível e biodiesel, que juntos somam cerca de 5,9 GW. O biodiesel se destaca entre essas fontes pelo maior volume individual cadastrado dentro do grupo, especialmente para os anos de suprimento mais à frente.

A distribuição temporal dos projetos mostra crescimento expressivo a partir de 2028, quando o volume anual cadastrado ultrapassa 100 GW e permanece nesse patamar até 2031. Para 2026 e 2027, o montante é significativamente menor, em linha com os prazos contratuais e a elegibilidade de projetos existentes.

O cronograma do LRCAP 2026 prevê a realização do leilão em 18 e 20 de março de 2026, após a divulgação da nota técnica de margem de escoamento pelo ONS e a aprovação do edital pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A análise indica que, além da competitividade de preços, a localização e a aderência dos projetos à capacidade remanescente de transmissão serão fatores centrais para a viabilidade no certame.



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