A energia elétrica negociada no mercado livre deve registrar elevação relevante de preços em 2026, em um contexto marcado por restrições hidrológicas, maior volatilidade e aumento do despacho de usinas termelétricas, segundo análise da Armor Energia. De acordo com a comercializadora, a energia convencional no submercado Sudeste/Centro-Oeste já vem sendo negociada em patamares próximos a R$ 355/MWh.
O valor representa uma alta superior a R$ 130/MWh em relação ao preço médio observado em 2025, estimado em cerca de R$ 223/MWh. A elevação ocorre ainda durante o período úmido, tradicionalmente associado a maior conforto hidrológico e preços mais baixos no sistema.
A Armor Energia atribui o movimento principalmente ao desempenho abaixo do esperado das chuvas desde o início do período úmido, o que tem limitado a recomposição dos reservatórios. Com exceção do submercado Sul, os demais registram volumes de precipitação inferiores à média, elevando o nível de atenção para os próximos meses.
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgados em 19 de janeiro de 2026, indicam níveis de Energia Armazenada (EAR) de 43,30% no Sudeste/Centro-Oeste, 47,23% no Nordeste, 55,92% no Norte e 66,20% no Sul. O Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior parcela da carga e da geração do Sistema Interligado Nacional, apresenta o quadro mais sensível.
As curvas de preços futuros também refletem esse cenário. Segundo a análise da Armor, com base em dados da BBCE, o preço da energia no submercado Sudeste/Centro-Oeste pode alcançar R$ 400/MWh em março, com média anual próxima de R$ 355/MWh em 2026.
A manutenção de condições hidrológicas desfavoráveis ao longo do período úmido aumenta o risco para o segundo semestre, quando níveis mais baixos de armazenamento tendem a intensificar o despacho de usinas térmicas, elevando o Custo Marginal de Operação (CMO).
Para os consumidores do mercado livre, o cenário descrito implica maior volatilidade e exposição a riscos de preços, sobretudo em contratos de curto e médio prazo. Ao mesmo tempo, preços elevados tendem a reforçar a busca por estratégias de contratação e proteção mais estruturadas.
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