As perdas de geração por curtailment em usinas eólicas e solares dispararam em 2025, alcançando 32,9 milhões de MWh, volume 220% superior ao registrado em 2024. Os dados constam em estudo da ePowerBay, que analisa informações do ONS e da CCEE e aponta um agravamento estrutural das restrições operativas no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Do total acumulado no ano, a maior parcela dos cortes decorreu de razões energéticas, responsáveis por 54% das perdas, associadas à impossibilidade de alocação da geração na carga. Em seguida aparecem as restrições por confiabilidade elétrica, com 34%, e as razões externas, ligadas a indisponibilidades na rede de transmissão, com 12%.
Em dezembro de 2025, apesar de uma redução mensal relevante, o curtailment permaneceu elevado. As perdas no mês somaram 1,96 milhão de MWh, queda de 38% em relação a novembro, quando os cortes haviam alcançado 3,16 milhões de MWh. Ainda assim, 69% das restrições registradas no último mês tiveram origem em razões energéticas, indicando um problema persistente de escoamento e absorção da geração renovável.
A análise geográfica do estudo mostra forte concentração dos cortes no Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norte. Subestações como Açu III, João Câmara III e Monte Verde responderam por volumes superiores a 2 milhões de MWh ao longo do período analisado, evidenciando gargalos relevantes na infraestrutura de transmissão da região.
Entre os conjuntos eólicos mais afetados, Janaúba, Serra do Mel A e Serra do Mel B registraram perdas superiores a 1 milhão de MWh cada. No recorte mensal de dezembro, os dez conjuntos com maiores perdas percentuais estavam todos localizados no Rio Grande do Norte, conectados principalmente às subestações Açu II, João Câmara II e III e Polo Guamaré.
No caso das usinas solares, os maiores percentuais de corte se concentraram em empreendimentos localizados na Bahia, Piauí, Pernambuco e Minas Gerais, conectados a subestações como Janaúba 1–Manga 3, Ribeiro Gonçalves e Bom Jesus da Lapa, segundo o levantamento.
O estudo aponta que o avanço do curtailment reforça a necessidade de aceleração dos investimentos em transmissão e de ajustes regulatórios para mitigar perdas crescentes de geração renovável. Sem medidas estruturais, o aumento da capacidade instalada eólica e solar tende a aprofundar o descompasso entre oferta e capacidade de escoamento, com impactos diretos sobre a viabilidade econômica dos projetos.
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