A Auren Energia registrou resultados significativamente pressionados no terceiro trimestre de 2025 devido ao aumento do curtailment em todas as suas fontes de geração. Relatório do banco BTG Pactual destaca que o GSF das hidrelétricas caiu para -35%, o corte em eólicas atingiu -21% e, nas solares, chegou a -33%, afetando diretamente a produção e a receita operacional da companhia.

A combinação entre menor geração física, preços elevados no mercado de curto prazo e um portfólio altamente contratado resultou em um trimestre considerado desafiador pelos analistas do banco. O EBITDA ajustado totalizou R$ 674 milhões (R$ 773 milhões incluindo dividendos de subsidiárias), ficando 13% abaixo do consenso e 12% inferior ao registrado no mesmo período de 2024.

A Auren reportou ainda prejuízo líquido de R$ 404 milhões no trimestre, frente a uma perda estimada de R$ 229 milhões. O desempenho reflete o impacto cumulativo do curtailment, do cenário hidrológico adverso e da menor margem operacional resultante do descasamento entre custos e energia contratada.

Segundo o relatório, a perspectiva para os próximos cinco trimestres permanece desafiadora, uma vez que a companhia segue com elevada contratação e, portanto, mais exposta ao risco de novos cortes de geração. A expectativa é de que a trajetória só comece a melhorar a partir de 2027, com redução da alavancagem e recuperação do EBITDA.

Apesar do ambiente adverso, os analistas destacam que fatores internos da empresa, como ganhos de eficiência, sinergias operacionais e melhoria de disponibilidade dos ativos, têm avançado. Esses elementos, no entanto, não foram suficientes para compensar o efeito do cenário externo no trimestre.

O relatório também aborda a Medida Provisória 1.304, que trata do ressarcimento de cortes operativos. A MP prevê repasse de parte do curtailment por confiabilidade e, possivelmente, parte do energético, tema ainda em análise pelo governo. Segundo as projeções, a Auren pode operar com cerca de 5% de curtailment no médio e longo prazo, caso a MP seja sancionada conforme aprovado pelo Congresso.

A deterioração dos resultados ocorre em um momento em que a companhia enfrenta menor geração, maior volatilidade de preços e margens comprimidas. Para analistas, o desempenho fraco reflete uma travessia complexa até 2027, quando a empresa tende a capturar um ambiente mais favorável de preços e maior flexibilidade contratual.



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