A Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista entrou em operação em 10 de setembro, integrando Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) após mais de duas décadas de espera. O estado era o único do país ainda isolado e dependente da geração local a diesel, com custos elevados e impacto ambiental.

O empreendimento soma 724 quilômetros de extensão, em circuito duplo de 500 kV, partindo da subestação Lechuga (AM) até a subestação Boa Vista (RR). O investimento totalizou R$ 3,3 bilhões, sob responsabilidade da concessionária Transnorte Energia, sociedade formada por Eletrobras e Alupar.

Durante a execução, o contrato de concessão foi reequilibrado: a Receita Anual Permitida (RAP) foi fixada em R$ 561,7 milhões e o prazo estendido de 17 para 27 anos. A medida foi necessária devido ao atraso de quase uma década, decorrente de disputas judiciais e entraves no licenciamento ambiental.

O financiamento contou com R$ 800 milhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e R$ 1,7 bilhão do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), em operação inédita da Caixa Econômica Federal envolvendo o FDA.

Do total da extensão, 122 km atravessam a Terra Indígena Waimiri Atroari. O licenciamento exigiu consultas e acordos com a comunidade, que participou da definição da localização das torres e do monitoramento das obras. As estruturas foram projetadas com cerca de 100 metros de altura, permitindo o lançamento dos cabos sobre a copa das árvores. A instalação utilizou drones para evitar a abertura de corredores contínuos de desmatamento.

A linha foi concluída dentro do cronograma repactuado em 2022, conectando Roraima ao SIN pela primeira vez. Com a interligação, estima-se a substituição progressiva da geração térmica a diesel, que custava em média R$ 2 bilhões por ano em subsídios pagos pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a entrada em operação reforça a confiabilidade no abastecimento e amplia a segurança energética da região. A previsão é que o consumo de Roraima, atualmente em torno de 300 MW médios, passe a ser atendido prioritariamente por fontes hidrelétricas, eólicas e solares conectadas ao SIN, com redução de emissões e custos tarifários.



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