A implantação de um data center de 100 MW voltado a aplicações de IA - Inteligência Artificial pode gerar cerca de 12.560 empregos diretos e indiretos durante sua construção, além de acrescentar R$ 1,5 bilhão ao PIB - Produto Interno Bruto brasileiro e R$ 590 milhões em renda do trabalho. Os números fazem parte de um estudo da FGV - Fundação Getulio Vargas, que analisa os impactos socioeconômicos da expansão da infraestrutura digital no país.

Segundo o levantamento, um empreendimento desse porte exige investimentos da ordem de R$ 25 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5 bilhões destinam-se à infraestrutura física e R$ 20 bilhões à aquisição de equipamentos de computação, como servidores, GPUs e sistemas de armazenamento voltados à inteligência artificial. O período de implantação varia entre 18 e 36 meses e, após o início da operação, cerca de 15% dos postos de trabalho permanecem de forma permanente.

O estudo destaca ainda o efeito multiplicador dos investimentos sobre a economia. Para cada R$ 1 milhão aplicado em data centers, são gerados aproximadamente R$ 350 mil em renda do trabalho, beneficiando não apenas profissionais de tecnologia, mas também setores como construção civil, engenharia, logística, comércio e alimentação.

Em uma análise mais ampla, a FGV avalia que o Brasil reúne condições estruturais para se consolidar como um hub internacional de infraestrutura digital na era da inteligência artificial. No cenário mais otimista, a capacidade instalada do país poderia crescer de cerca de 1 GW para 13,7 GW até 2035, atraindo entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões em investimentos e criando mais de 230 mil empregos permanentes relacionados à operação da infraestrutura digital.

Apesar do potencial, o estudo aponta que a expansão do setor depende da superação de entraves como o elevado custo da energia elétrica, a fragmentação do arcabouço regulatório, a necessidade de maior coordenação entre políticas tecnológicas, energéticas e industriais e a formação de mão de obra especializada. Segundo a FGV, os hubs digitais mais competitivos combinam energia confiável e competitiva, conectividade robusta e ambiente regulatório previsível, fatores considerados essenciais para ampliar a atratividade do Brasil para novos investimentos em data centers.



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