O desordenamento das redes aéreas de telecomunicações e energia, que resulta em emaranhados de cabos nos postes das cidades brasileiras, esteve no centro das discussões do workshop Compartilhamento de postes e infraestrutura inteligente – Engenharia, segurança e inovação, promovido no dia 25 de junho pelo SEESP - Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, em parceria com a FNE - Federação Nacional dos Engenheiros e o CREA-SP. Especialistas defenderam maior planejamento, padronização técnica, fiscalização e o uso de novas tecnologias para modernizar a gestão da infraestrutura compartilhada.

Segundo Marcius Vitale, coordenador do Conselho Assessor de Telecomunicações do SEESP, existem soluções técnicas capazes de enfrentar o problema, mas sua implementação depende de engenharia, procedimentos adequados e investimentos. “Tem solução, desde que se trabalhe com engenharia e procedimentos”, afirmou na abertura do evento.

Durante os debates, os participantes destacaram que o crescimento acelerado das redes de telecomunicações, impulsionado pela expansão da fibra óptica, do 5G e de novos serviços digitais, ocorreu sem planejamento compatível para a ocupação dos postes. Também foram apontadas deficiências na fiscalização, na padronização dos projetos e na atualização dos cadastros da infraestrutura existente.

Entre as propostas apresentadas está a adoção de sistemas baseados em inteligência artificial e na tecnologia LIDAR - Light Detection and Ranging para mapear, em três dimensões, a ocupação dos postes e criar bases de dados mais precisas para o planejamento e a reorganização das redes. De acordo com Vitale, essas ferramentas podem contribuir para aumentar a eficiência operacional, melhorar a segurança e apoiar a criação de padrões técnicos para o compartilhamento da infraestrutura.

O workshop também abordou aspectos de segurança do trabalho, incluindo os impactos das atualizações das normas regulamentadoras NR 1 e NR 10, além da necessidade de fortalecer a cooperação entre concessionárias de energia, operadoras de telecomunicações, poder público e órgãos reguladores para reduzir riscos e aprimorar a gestão da infraestrutura urbana compartilhada.



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