A busca por maior autonomia tecnológica tem levado órgãos públicos brasileiros a acelerar iniciativas de soberania digital. O conceito, que inicialmente estava concentrado na proteção e localização dos dados, evolui para um modelo mais amplo, voltado ao controle das operações digitais, da infraestrutura e da governança em ambientes híbridos e multicloud.

De acordo com estudo da Grand View Research, o mercado global de soberania digital deverá crescer de US$ 117 bilhões em 2025 para US$ 649 bilhões em 2033. Já o Gartner projeta que, até 2030, mais de 75% das grandes organizações fora dos Estados Unidos terão desenvolvido sua própria estratégia de soberania e nuvem. Na Europa Ocidental, 61% dos CIOs e CISOs consultados pela consultoria afirmaram utilizar com frequência provedores de nuvens locais.

Segundo Hilmar Becker, diretor regional da F5 Brasil, a tendência vai além da preocupação com a residência dos dados. “Muitas organizações reconhecem que a soberania de dados, por si só, não é suficiente. É necessário avançar para a soberania operacional”, afirma.

Nesse modelo, o objetivo é garantir que aplicações, políticas de segurança e operações digitais possam continuar funcionando mesmo diante de mudanças regulatórias, geopolíticas ou de disponibilidade de provedores de nuvem. A estratégia também busca assegurar maior controle sobre a forma como serviços são implementados, gerenciados e transferidos entre diferentes ambientes.

Outro movimento apontado é a convivência entre nuvens públicas e privadas. Em vez de substituir totalmente os serviços de hyperscalers como AWS, Google Cloud e Oracle, diversas organizações têm optado por repatriar aplicações e cargas de trabalho consideradas estratégicas para data centers próprios ou ambientes privados.

A decisão é motivada principalmente por fatores relacionados à segurança, conformidade regulatória e otimização de custos. Um levantamento do Barclays, citado por Becker, indica que mais de 80% das organizações pretendem repatriar parte de suas cargas de trabalho, enquanto mais da metade das maiores empresas do mundo deverá adotar modelos de soberania digital até 2030.

Para Becker, esse cenário exige uma gestão integrada dos diferentes ambientes computacionais. “A soberania operacional exige controle absoluto sobre onde as cargas de trabalho residem e quem tem direito de acesso a elas. Também é essencial garantir gerenciamento consistente do tráfego de dados, proteção das APIs e políticas uniformes de segurança em ambientes híbridos, multicloud e soberanos”, destaca.

Nesse contexto, plataformas apoiadas por Inteligência Artificial passam a desempenhar papel importante na automação das operações de TI e segurança cibernética, contribuindo para simplificar a administração de ambientes distribuídos, ampliar a produtividade das equipes e facilitar processos de auditoria e conformidade.

Na avaliação do executivo, o setor público brasileiro vem consolidando essa transformação. “Temos observado profissionais convergindo para a importância estratégica da soberania digital. O trabalho colaborativo entre órgãos públicos e fornecedores especializados contribui para ampliar a autonomia e a resiliência do país”, conclui.



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