A Futurex, empresa global especializada em Hardware Security Modules (HSMs), tem reforçado sua presença no Brasil como parte da estratégia de expansão na América Latina, apostando na oferta de criptografia como serviço e na consolidação do país como um dos principais polos operacionais do grupo. Fundada há cerca de 40 anos nos Estados Unidos, a companhia atua exclusivamente no desenvolvimento de soluções criptográficas para proteção de dados e transações digitais.

Um dos movimentos mais relevantes nesse processo foi a transformação da operação brasileira em um hub global de qualidade e desenvolvimento. “Todo teste de produto da Futurex hoje é feito no Brasil. A equipe de QA é majoritariamente brasileira e atende o mundo inteiro”, afirma Rafael Silva, diretor técnico e responsável pela empresa no país.

Na prática, o Brasil passou a funcionar como um laboratório global de validação de soluções, o que, segundo o executivo, gera vantagens competitivas locais. “Sabemos tudo o que vai sair antes dos outros mercados. Isso nos permite antecipar demandas e oferecer soluções com mais rapidez para os clientes da região”, diz.

A estrutura local inclui escritório em São Paulo e dois data centers, localizados em Osasco e Vinhedo, SP, que reforçam a estratégia de soberania de dados e baixa latência para aplicações críticas, especialmente no setor financeiro.

Tradicionalmente associada ao fornecimento de HSMs físicos, equipamentos dedicados à geração e proteção de chaves criptográficas, a Futurex tem ampliado sua atuação para um modelo mais flexível, baseado em serviços.

O principal destaque é a plataforma VirtuCrypt, uma nuvem dedicada exclusivamente à criptografia e ao gerenciamento de chaves. A solução permite que empresas utilizem infraestrutura criptográfica sem a necessidade de adquirir hardware próprio.

“Estamos quebrando o paradigma de que é preciso comprar um HSM. Hoje é possível consumir criptografia como serviço, com a mesma segurança de uma solução on premises”, afirma Silva.

Segundo o executivo, a proposta combina redução de custos e agilidade operacional. “Se o cliente precisar de um HSM agora, podemos provisionar em minutos, sem logística, sem importação. Pode ser no Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”, explica.

A VirtuCrypt oferece as mesmas certificações e níveis de segurança das soluções físicas, incluindo padrões como FIPS 140-2 nível 3, mas com implantação simplificada e escalabilidade sob demanda.

Além disso, a plataforma elimina custos associados à operação tradicional de HSMs, como aquisição de equipamentos, montagem de ambientes seguros e auditorias recorrentes. “Quando você compra um HSM, precisa de sala segura, certificação PCI, auditoria anual. Isso pode custar dezenas de milhares de reais por ano. No modelo em nuvem, tudo isso já está incluído no serviço”, afirma.

O uso de HSMs e serviços criptográficos está no centro de diversas aplicações digitais, desde transações financeiras até certificação digital, autenticação e proteção de dados sensíveis. “Quando você aproxima um cartão para pagamento, tem uma cadeia inteira de criptografia por trás. As chaves que protegem aquela transação foram geradas e validadas por HSMs”, explica Silva.

A tecnologia também é essencial para atender requisitos regulatórios, como a LGPD, e para viabilizar aplicações emergentes, incluindo certificação de conteúdo digital e rastreabilidade de dados em um contexto de crescimento de conteúdos gerados por inteligência artificial.

Além do setor financeiro tradicional, as oportunidades de expansão podem se estender para outros segmentos, como telecomunicações e provedores regionais de Internet. Um dos potenciais está na criação de carteiras digitais e emissão de cartões virtuais para mercados locais. “Hoje existem pequenas emissoras de cartão em cidades do interior que ainda operam com tecnologia limitada. Com serviços criptográficos, é possível criar carteiras digitais e emitir cartões virtuais com segurança”, afirma Silva. Segundo ele, esse movimento pode abrir espaço para que provedores regionais se transformem em fintechs, oferecendo serviços financeiros em modelo white label. “O provedor pode virar uma financeira. Ele mesmo captura, processa e liquida as transações dentro da sua base de clientes”, diz.

A redução de custos proporcionada pelo modelo em nuvem é apontada como fator chave para viabilizar esse tipo de iniciativa. “Um HSM físico pode custar a partir de US$ 20 mil. Com a nuvem, é possível começar com cerca de US$ 1 mil por mês, o que permite testar o modelo de negócio antes de escalar”, explica.

Com a digitalização acelerada e o aumento das exigências regulatórias, a expectativa da Futurex é de crescimento contínuo na América Latina, com o Brasil ocupando posição central nesse processo. A combinação entre presença local, capacidade técnica e oferta de serviços escaláveis deve sustentar essa expansão. “O mercado está amadurecendo e demandando soluções mais completas. A criptografia deixou de ser um componente isolado e passou a ser parte estrutural dos serviços digitais”, conclui Silva.



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