A Parks, fabricante nacional de equipamentos para telecomunicações fundada em 1966, anunciou um investimento de R$ 500 milhões para desenvolver um campus de data centers Tier III em Cachoeirinha, RS, cidade onde está localizada sua sede. Com o projeto, a empresa amplia sua atuação para o mercado de infraestrutura digital. O empreendimento será implantado em oito fases de expansão e terá capacidade total de 5 MW, distribuída em dois edifícios com oito Data Halls e espaço para 386 racks de alta densidade voltados a aplicações de IA - Inteligência Artificial, computação em nuvem, colocation e serviços digitais críticos. Segundo a empresa, o valor contempla todo o desenvolvimento do campus, incluindo aquisição e preparação da área, obras civis, infraestrutura elétrica de alta disponibilidade, subestação, sistemas de climatização, conectividade por fibra óptica, equipamentos de tecnologia, sistemas de segurança e demais estruturas necessárias para um empreendimento de missão crítica.
A primeira etapa do projeto, correspondente ao primeiro Data Hall, entrará em operação ainda neste ano. A partir dessa fase inicial, as demais expansões serão executadas de forma gradual, acompanhando o crescimento da demanda dos clientes até que o campus alcance sua configuração plena. Segundo o CEO da Parks, Fábio Cierro, a estratégia de expansão modular, amplamente utilizada pelos principais operadores mundiais de data centers, permite otimizar os investimentos, preservar a eficiência operacional e alinhar a ampliação da capacidade à evolução do mercado. “Essa estratégia permite otimizar os investimentos, preservar elevada eficiência operacional e expandir a capacidade de forma alinhada à demanda do mercado, garantindo sustentabilidade financeira e operacional ao longo de todo o ciclo de crescimento do empreendimento”, afirma.
De acordo com Cierro, o investimento posiciona a empresa em um segmento estratégico para o futuro da tecnologia no Brasil. “A Parks é reconhecida pelas soluções que desenvolve e, neste ano, damos mais um passo importante ao ingressar em um segmento essencial para a transformação digital do país. O mercado exige cada vez mais capacidade de processamento e armazenamento de dados, mas também demanda segurança, disponibilidade e soberania dos dados em território nacional. Nosso objetivo é contribuir para fortalecer a infraestrutura digital do Rio Grande do Sul e do Brasil, oferecendo um ambiente de alta confiabilidade para que empresas e órgãos públicos possam hospedar suas informações com segurança, desempenho e conformidade com a legislação brasileira.”
O projeto será desenvolvido por meio de uma estrutura que combina recursos próprios da Parks e a participação de investidores estratégicos. Segundo o executivo, esse modelo proporciona maior solidez financeira e permitirá acelerar a expansão do campus de acordo com a evolução da demanda do mercado. A empresa, no entanto, ainda não divulga detalhes sobre a composição societária nem sobre os parceiros envolvidos.
A empresa destaca que o projeto busca fortalecer a infraestrutura digital do Rio Grande do Sul, estado que concentra apenas cerca de 2% da capacidade nacional de data centers. Segundo Cierro, as enchentes de 2024 evidenciaram a necessidade de ampliar a resiliência e descentralizar essa infraestrutura, hoje fortemente concentrada em São Paulo, que reúne aproximadamente 75% dos data centers brasileiros.
Projetado para atender aos requisitos da certificação Tier III, o complexo contará com redundância dos sistemas críticos e possibilidade de manutenção sem interrupção das operações. A infraestrutura disponibilizará 3,3 MW de carga de TI e capacidade para 386 racks de alta densidade, preparados para aplicações de IA, computação em nuvem e processamento intensivo de dados. O empreendimento deverá gerar cerca de 40 empregos diretos e indiretos.
Com o novo empreendimento, a Parks passa a atuar também na infraestrutura física e lógica que sustenta serviços digitais de alta criticidade, complementando sua atuação tradicional no mercado de telecomunicações.
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