A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revelou, em coletiva realizada no início de abril, que a produção nacional de autoveículos atingiu 264,1 mil unidades em março, o melhor desempenho mensal desde outubro de 2019. Com um crescimento de 27,6% sobre fevereiro e 35,6% frente a março de 2025, o setor sinaliza um aquecimento que tem potencial de impactar também a cadeia de transformação de plásticos. Para os sistemistas e fabricantes de autopeças plásticas, o ritmo acelerado das montadoras exige alta produtividade em processos de injeção, extrusão e moldagem por sopro, fundamentais para a produção de diversos componentes.
No segmento de veículos leves, que somou 249,9 mil unidades no mês (gráfico ao lado), a participação do
plástico é estratégica para a redução de peso e o cumprimento de metas de eficiência energética. A expansão de 38,7% na comparação anual deste nicho se reflete diretamente no volume de polímeros processados, tais como o polipropileno (PP), poliamidas (PA) e ABS. Com o acumulado do primeiro trimestre registrando 634,7 mil unidades produzidas, o setor de plásticos encontra um cenário de continuidade, consolidando-se como material indispensável para a competitividade da indústria automobilística nacional.
O avanço dos veículos eletrificados, que alcançaram 100 mil unidades vendidas no trimestre, redefine os requisitos técnicos para os materiais poliméricos. Com 42% desses modelos já produzidos localmente, surge uma demanda crescente por plásticos de alto desempenho com propriedades de isolamento elétrico, resistência térmica e retardância de chamas. Componentes como carcaças de baterias, conectores de alta voltagem e suportes de sistemas de gestão térmica abrem novas oportunidades para o uso de termoplásticos de engenharia, exigindo dos transformadores investimentos em moldes e controle rigoroso de tolerâncias.
No setor de veículos pesados, os dados da Anfavea mostram sinais de recuperação que impactam o processamento de peças de grandes dimensões. Embora a produção de caminhões (11,1 mil unidades) tenha oscilado, os emplacamentos do segmento cresceram 31,9% em relação a fevereiro, impulsionados pelo programa "Move Brasil". Essa movimentação sugere uma retomada na fabricação de componentes volumosos, como defletores de ar, para-lamas e acabamentos de cabine em compósitos ou plásticos de engenharia, que são essenciais para a aerodinâmica e redução do consumo de combustível em frotas de transporte.
A reação nas exportações, que subiram 21,1% em março com 40,4 mil unidades embarcadas, ajuda a estabilizar a produção voltada ao mercado externo, garantindo a utilização da capacidade instalada dos fornecedores. Apesar dos desafios globais, a retomada de mercados como a Colômbia sinaliza um horizonte positivo para o fornecimento de kits de peças plásticas.
Imagem: Anfavea
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