A Entel S.A. apresentou ao mercado latino-americano uma nova rota estratégica para transporte de dados ao lançar o Corredor Sul-Americano de Telecomunicações Bio-Oceânico, infraestrutura que conecta diretamente os oceanos Pacífico e Atlântico por meio de uma malha terrestre de alta capacidade. O projeto foi destacado durante o Capacity Latam, evento realizado em março em São Paulo, e posiciona a Bolívia como eixo central da integração digital regional.

A rede interliga Lurín, no Peru, à região de São Paulo, no Brasil, passando por Desaguadero e Puerto Quijarro, na Bolívia, consolidando um corredor de aproximadamente 4370 quilômetros de fibra óptica. A proposta é oferecer uma alternativa terrestre às rotas tradicionais baseadas em cabos submarinos, reduzindo latência e ampliando a resiliência do tráfego de dados na América do Sul.

Segundo Yenko Vargas Vucanovich, subgerente de Negócios Corporativos e Wholesale da Entel, o projeto reflete uma estratégia de inserção regional da operadora boliviana. “Somos da Entel Bolívia e queremos abrir nossa atuação em nível latino-americano. Este enlace bioceânico entre São Paulo e Lurín aproveita a posição geográfica da Bolívia para oferecer uma rota com latência significativamente menor”, afirma.

Um dos principais atributos do corredor é o desempenho em latência. De acordo com a companhia, o tempo de resposta entre Lima e São Paulo gira em torno de 60 milissegundos, valor substancialmente inferior a rotas alternativas. “Comparado a outras rotas, como as que passam pela Argentina, com latência superior a 130 milissegundos, ou pelo Panamá, em torno de 140 milissegundos, nosso corredor é uma opção mais rápida e eficiente”, destaca Vucanovich.

Essa característica torna a infraestrutura especialmente relevante para aplicações sensíveis a atraso, como computação em nuvem, serviços financeiros, IoT - Internet das Coisas e inteligência artificial. A redução de latência também favorece provedores de conteúdo e hiperescaladores que demandam alta performance e confiabilidade.

O corredor opera sobre infraestrutura óptica baseada em DWDM - Dense Wavelength Division Multiplexing, com backbone escalável de até 60 Tbit/s. A rede utiliza arquitetura IP/MPLS e múltiplas rotas de fibra, garantindo redundância geográfica e alta disponibilidade.

A interconexão internacional é realizada por meio de pontos estratégicos em hubs digitais relevantes. No Brasil, a presença está estabelecida no data center SP4 da Equinix, em São Paulo. No Peru, a conexão ocorre por meio da Cirion Technologies. Já na Bolívia, a infraestrutura é integralmente própria, com integração a data centers locais certificados Tier III.

“A rede permite interconexão direta com hubs digitais em São Paulo, Lima e também Miami, facilitando a troca de tráfego entre operadoras internacionais e plataformas globais”, explica o executivo. As interfaces Ethernet suportam velocidades de até 100 Gbit/s.

A Entel destaca que a rede é totalmente própria nos trechos entre Peru e Bolívia, enquanto o segmento brasileiro opera por meio de acordos com dois provedores distintos, garantindo redundância por rotas independentes.

“Trabalhamos com duas rotas no Brasil para assegurar disponibilidade e continuidade do serviço. Isso é essencial para clientes que exigem alta confiabilidade”, afirma Vucanovich.

O modelo de negócio é voltado principalmente a operadoras, carriers internacionais, provedores de conteúdo e empresas de tecnologia, incluindo hiperescaladores. A infraestrutura já está em operação, com possibilidade de testes e contratação imediata.

Além do desempenho técnico, o projeto reforça o papel da Bolívia como hub de conectividade continental. O país faz fronteira com cinco mercados relevantes (Brasil, Peru, Chile, Argentina e Paraguai), o que amplia o potencial de integração digital.

“A Bolívia tem uma posição estratégica única. Podemos conectar diferentes economias da região por meio de nossa rede e também oferecer infraestrutura de data center com certificação Tier III para hospedagem de serviços”, diz o executivo.

O corredor também se apresenta como alternativa às rotas submarinas tradicionais, que podem ultrapassar 12 mil quilômetros entre os oceanos Pacífico e Atlântico, contribuindo para maior diversidade de caminhos e resiliência da rede sul-americana.

O avanço da infraestrutura digital ocorre em paralelo a movimentos políticos e logísticos mais amplos na região. Em março de 2026, os governos do Brasil e da Bolívia anunciaram a retomada do projeto do Corredor Bioceânico Central, após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Rodrigo Paz. A iniciativa prevê a integração de modais ferroviários, rodoviários e hidroviários para conectar o Porto de Santos, no Atlântico, ao Porto de Ilo, no Pacífico, atravessando o território boliviano.

Nesse contexto, o corredor digital da Entel surge como complemento à infraestrutura física, ampliando a integração regional também no campo da conectividade e dos serviços digitais. “Trata-se de um movimento estratégico que reforça os laços bilaterais e posiciona a América do Sul como um eixo mais competitivo no fluxo global de dados”, conclui o executivo.



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